HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Homem de 22 anos de idade procura a Unidade Básica de Saúde para a realização de "exames de rotina", pois sente-se indisposto, dorme mal à noite e relata roncar muito. Na avaliação, apresentou pressão arterial de 150x94mmHg em 3 medidas repetidas e confirmadas nos 2 braços. Ele afirma que esses valores foram semelhantes a uma outra consulta que realizou ano passado e que sempre fica muito nervoso ao passar em consulta médica. O paciente também relata que é sedentário, não faz dieta, é tabagista de 1 maço/dia há 5 anos e tem um IMC de 35,7kg/m². Na história familiar, seu pai teve um infarto agudo do miocárdio aos 48 anos e sua avó materna é hipertensa, diabética e faz hemodiálise. Considerando a possibilidade de HAS secundária devido à idade do paciente, assinale a alternativa correta a respeito das causas de HAS secundária e sua investigação:
HAS em jovens + paroxismos → Metanefrinas (urina/plasma) para Feocromocitoma.
A investigação de HAS secundária em jovens deve ser direcionada por achados clínicos; o feocromocitoma exige confirmação bioquímica via metanefrinas antes de exames de imagem.
A hipertensão arterial secundária (HAS II) representa cerca de 5-10% dos casos de hipertensão, mas sua identificação é crucial pois muitas causas são curáveis ou exigem tratamento específico. Em pacientes jovens e obesos, como o do caso, a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é uma causa frequente, porém o enunciado foca na diferenciação diagnóstica de causas endócrinas. O feocromocitoma, embora raro, é uma emergência potencial devido ao risco de crises adrenérgicas. O diagnóstico correto evita cirurgias desnecessárias e prepara o paciente para o bloqueio alfa-adrenérgico pré-operatório. A questão reforça a necessidade de conhecimento sobre os métodos diagnósticos padrão-ouro: metanefrinas para feocromocitoma, polissonografia para AOS e IGF-1 para acromegalia.
Deve-se suspeitar em pacientes com início de HAS antes dos 30 ou após os 55 anos, hipertensão resistente (uso de 3 drogas em doses otimizadas), lesão de órgão-alvo desproporcional ou achados clínicos sugestivos, como roncos (apneia), paroxismos de cefaleia e sudorese (feocromocitoma) ou hipocalemia espontânea (hiperaldosteronismo).
O diagnóstico inicial é bioquímico, através da dosagem de metanefrinas fracionadas no plasma ou na urina de 24 horas. A sensibilidade desses testes é alta. Somente após a confirmação do excesso de catecolaminas é que se procede à localização tumoral por exames de imagem como TC ou RM de abdome.
O erro mais comum é solicitar exames de imagem da hipófise ou adrenais antes de realizar os testes de triagem bioquímica. A triagem deve ser feita com cortisol livre urinário de 24h, teste de supressão com dose baixa de dexametasona ou cortisol salivar à meia-noite.
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