PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Um paciente de 65 anos, com histórico de hipertensão arterial há mais de 10 anos, está em tratamento contínuo com Enalapril 20 mg/dia, Anlodipino 10 mg/dia, e Indapamida 1,5 mg/dia. Apesar do uso regular dessas medicações, ele apresenta pressões arteriais persistentemente elevadas (em torno de 160/100 mmHg). Ele é encaminhado para uma consulta de avaliação adicional, onde é realizado um ECG.Considerando o quadro clínico, qual droga deve ser associada ao tratamento atual do paciente?
Hipertensão resistente (3 drogas, incluindo diurético) → adicionar Espironolactona (antagonista mineralocorticoide).
Em pacientes com hipertensão arterial resistente, definida como pressão arterial não controlada apesar do uso de três classes de anti-hipertensivos em doses máximas (incluindo um diurético), a Espironolactona é a droga de escolha para ser adicionada ao tratamento. Sua eficácia se deve ao bloqueio dos receptores de mineralocorticoides, que frequentemente contribuem para a resistência ao tratamento.
A hipertensão arterial resistente representa um desafio clínico significativo, afetando uma parcela considerável dos pacientes hipertensos e aumentando o risco cardiovascular. É caracterizada pela falha em atingir as metas pressóricas (<140/90 mmHg ou <130/80 mmHg em pacientes de alto risco) apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético, em doses otimizadas. É crucial descartar pseudo-resistência (má adesão, técnica de medida incorreta) e hipertensão secundária antes de firmar o diagnóstico. A fisiopatologia da hipertensão resistente é multifatorial, envolvendo hiperatividade do sistema nervoso simpático, retenção de sódio e água, e frequentemente, hiperaldosteronismo primário ou secundário. O paciente do caso já utiliza um IECA (Enalapril), um bloqueador de canal de cálcio (Anlodipino) e um diurético tiazídico (Indapamida), o que configura uma terapia tripla. Diante da persistência da hipertensão, a adição de uma quarta droga é necessária. As diretrizes atuais recomendam a Espironolactona, um antagonista do receptor mineralocorticoide, como a droga de primeira escolha para adicionar ao tratamento da hipertensão resistente. Sua eficácia se deve ao bloqueio dos efeitos da aldosterona, que promove a retenção de sódio e água e a excreção de potássio. Outras opções incluem beta-bloqueadores, alfa-bloqueadores ou outros diuréticos, mas a Espironolactona tem demonstrado superioridade em ensaios clínicos. É fundamental monitorar os níveis de potássio e a função renal ao iniciar a Espironolactona, devido ao risco de hipercalemia, especialmente em pacientes com comprometimento renal ou em uso concomitante de IECA/BRA.
A hipertensão arterial resistente é definida como a pressão arterial que permanece acima da meta (geralmente 140/90 mmHg) apesar do uso de três classes de anti-hipertensivos em doses máximas toleradas, sendo uma delas um diurético.
A Espironolactona é preferida porque muitos casos de hipertensão resistente têm um componente de hiperaldosteronismo (primário ou secundário) que contribui para a elevação da pressão. Como antagonista do receptor mineralocorticoide, ela bloqueia os efeitos da aldosterona, promovendo natriurese e diurese, e reduzindo a pressão arterial.
Os principais efeitos adversos incluem hipercalemia (especialmente em pacientes com insuficiência renal ou em uso de IECA/BRA), ginecomastia e disfunção erétil em homens, e irregularidades menstruais em mulheres. O monitoramento regular dos níveis de potássio e função renal é crucial.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo