FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024
Homem de 83 anos apresenta em consulta ambulatorial descontrole dos níveis pressóricos em medidas residenciais com aparelho adequado. Está em uso de Anlodipina 10 mg/dia e Clortalidona 25 mg/dia. Refere ser hipertenso há 15 anos, com histórico de AVC isquêmico prévio, ocasião em que interrompeu o tabagismo. Sobre esse caso assinale a CORRETA:
Hipertensão resistente em idoso com AVC prévio → suspeitar estenose de artéria renal; ausculta abdominal é mandatória.
A hipertensão arterial resistente, especialmente em idosos com histórico de eventos ateroscleróticos como AVC, deve levantar a suspeita de causas secundárias, como a estenose de artéria renal. A ausculta abdominal para sopros é um passo inicial importante na investigação.
A hipertensão arterial resistente é definida como a pressão arterial que permanece acima da meta apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético, em doses otimizadas. Nesses casos, é fundamental investigar causas secundárias, especialmente em idosos com histórico de doença aterosclerótica, como o AVC isquêmico prévio, que aumenta a probabilidade de doença renovascular. A estenose de artéria renal, frequentemente causada por aterosclerose em idosos, é uma das principais causas de hipertensão secundária e resistente. A suspeita clínica é crucial e deve levar à investigação. A ausculta abdominal para sopros é um passo inicial importante, pois a presença de um sopro sistólico ou sistodiastólico na região epigástrica ou nos flancos pode indicar estenose de artéria renal, embora sua sensibilidade seja limitada. O manejo da hipertensão resistente envolve otimização da terapia medicamentosa e investigação da causa secundária. A identificação e tratamento da estenose de artéria renal, seja por angioplastia com stent ou manejo clínico otimizado, podem melhorar o controle pressórico e prevenir eventos cardiovasculares e renais futuros.
Deve-se suspeitar em casos de hipertensão resistente (não controlada com 3 fármacos, incluindo um diurético), hipertensão de início súbito ou agravamento rápido, hipertensão em idade jovem ou avançada, assimetria renal, ou edema pulmonar de repetição.
Exames incluem ultrassonografia Doppler de artérias renais, angiotomografia ou angiorressonância de artérias renais, e arteriografia renal (padrão-ouro, mas invasiva).
A ausculta abdominal pode revelar um sopro sistólico ou sistodiastólico na região epigástrica ou nos flancos, que, embora não seja altamente sensível, é bastante específico para estenose de artéria renal, especialmente em pacientes com hipertensão renovascular.
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