Hipertensão Resistente: Quando e Por Que Usar Espironolactona?

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025

Enunciado

O número de pacientes hipertensos vem aumentando progressivamente no Brasil. A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é considerada o principal fator de risco para as doenças cardiovasculares, sendo, portanto, um grave problema de saúde pública. Trata-se, porém, de uma condição prevenível e altamente tratável. Conforme os consensos mais recentes, assinale a alternativa CORRETA sobre o tratamento e propedêutica da HAS, considerando que é recomendado que, caso a Pressão Arterial (PA) continue descontrolada com o uso adequado de três drogas de primeira linha, deve-se:

Alternativas

  1. A) Adicionar como quarta droga a espironolactona.
  2. B) Deflagar a propedêutica de hipertensão secundária.
  3. C) Iniciar a combinação de hidralazina associada a nitratos.
  4. D) Adicionar como quarta droga a um vasodilatador arterial direto, como a hidralazina.

Pérola Clínica

HAS resistente (≥3 drogas, incluindo diurético) → Adicionar espironolactona como 4ª droga de escolha.

Resumo-Chave

Na Hipertensão Arterial Resistente (HAR), a adição de espironolactona é a quarta linha preferencial. A fisiopatologia frequentemente envolve um estado de hiperaldosteronismo relativo ou subclínico, tornando o bloqueio do receptor mineralocorticoide uma estratégia eficaz e baseada em evidências.

Contexto Educacional

A Hipertensão Arterial Resistente (HAR) é uma condição clínica desafiadora, definida como a pressão arterial que permanece acima das metas recomendadas apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, em doses otimizadas, sendo um deles, preferencialmente, um diurético. Estima-se que a HAR afete de 10 a 20% da população de hipertensos, representando um subgrupo de alto risco para eventos cardiovasculares. A fisiopatologia da HAR é multifatorial, mas frequentemente envolve a retenção de sódio e volume, muitas vezes mediada por um hiperaldosteronismo primário ou relativo. A aldosterona promove a reabsorção de sódio e a excreção de potássio nos túbulos renais, contribuindo para a expansão volêmica e o aumento da pressão arterial. O diagnóstico requer a exclusão de pseudo-resistência (falta de adesão, técnica de medida da PA inadequada, efeito do avental branco) e a investigação de causas secundárias. O manejo da HAR, após otimização da terapia tripla (geralmente um IECA/BRA, um bloqueador de canal de cálcio e um diurético tiazídico), preconiza a adição de um antagonista do receptor mineralocorticoide (ARM), como a espironolactona, como quarta droga. Essa recomendação é baseada em evidências robustas, como o estudo PATHWAY-2, que demonstrou a superioridade da espironolactona sobre outros agentes. É crucial monitorar os níveis de potássio e a função renal após o início de um ARM.

Perguntas Frequentes

Como se define Hipertensão Arterial Resistente (HAR)?

HAR é definida pela falha em atingir as metas de pressão arterial (PA < 140/90 mmHg) com o uso de três anti-hipertensivos em doses otimizadas, sendo um deles um diurético, ou quando a PA só é controlada com quatro ou mais fármacos.

Por que a espironolactona é a quarta droga de escolha na HAR?

A espironolactona, um antagonista do receptor mineralocorticoide, é eficaz porque muitos pacientes com HAR apresentam um estado de hiperaldosteronismo relativo, que contribui para a retenção de sódio e água. Seu uso demonstrou redução significativa da PA nesses casos.

Quais são as principais causas de hipertensão secundária a serem investigadas na HAR?

As principais causas incluem apneia obstrutiva do sono, doença renal parenquimatosa, estenose de artéria renal (hipertensão renovascular) e hiperaldosteronismo primário. A investigação deve ser considerada em todos os pacientes com HAR.

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