Hipertensão Resistente: Confirmação e Manejo Ideal

CHN - Complexo Hospitalar de Niterói (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Um paciente de 68 anos totalmente assintomático apresenta Hipertensão Arterial Resistente caracterizada por PA média de consultório= 170x1 00mmHg após 3 aferições, e vem em uso regular de enalapril 20 mg 12/12h + hidroclorotiazida 25mg/dia + anlodipino 1 0mg/dia.Qual é a MELHOR conduta clínica?

Alternativas

  1. A) encaminhar para a Unidade de Emergência mais próxima para a administração de captopril 25mg sublingual (SL) imediatamente + observação hospitalar
  2. B) encaminhar para a Unidade de Emergência mais proxIma para administração de clonidina O, 100mg SL + furosemida 20mg venoso + observação hospitalar
  3. C) encaminhar para a Unidade de Emergência mais próxima para realização de eletrocardiograma + administração de captopril 50mg SL + observação hospitalar
  4. D) conferir a adesão ao tratamento + solicitar ECG + ecocardiograma e aumentar a hidroclorotiazida para 50mg/dia e o anlodipino para 20mg/dia
  5. E) conferir a adesão ao tratamento + solicitar MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) e, caso confirme hipertensão resistente verdadeira, associar espironolactona 25mg/dia como a 4ª droga

Pérola Clínica

Hipertensão Resistente: 1º confirmar com MAPA e adesão; 2º associar espironolactona como 4ª droga.

Resumo-Chave

Antes de intensificar o tratamento da hipertensão resistente, é fundamental confirmar a adesão do paciente à medicação e descartar a pseudo-hipertensão ou hipertensão do avental branco, idealmente com MAPA. A espironolactona é a quarta droga de escolha, devido ao seu mecanismo de ação como antagonista da aldosterona.

Contexto Educacional

A Hipertensão Arterial Resistente (HAR) representa um desafio clínico significativo, afetando uma parcela considerável dos pacientes hipertensos e aumentando o risco cardiovascular. É caracterizada pela falha em atingir as metas pressóricas apesar do uso otimizado de três ou mais anti-hipertensivos, incluindo um diurético. O manejo da HAR exige uma abordagem sistemática para identificar e corrigir fatores contribuintes. O diagnóstico de HAR verdadeira começa com a exclusão de pseudo-resistência, que pode ser causada por má adesão ao tratamento, técnica inadequada de aferição da pressão arterial ou efeito do avental branco. A Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) é uma ferramenta indispensável para confirmar a HAR, fornecendo leituras da pressão arterial fora do ambiente clínico e durante as atividades diárias do paciente. Uma vez confirmada a HAR, deve-se investigar causas secundárias de hipertensão, como doença renal crônica, apneia do sono, hiperaldosteronismo primário e estenose da artéria renal. Após a exclusão de causas secundárias e a otimização das três primeiras drogas, a espironolactona é amplamente recomendada como a quarta droga de escolha. Sua eficácia na HAR é atribuída ao seu mecanismo como antagonista da aldosterona, que atua na retenção de sódio e água. Outras opções incluem beta-bloqueadores, alfa-bloqueadores ou outros diuréticos. O acompanhamento rigoroso e a educação do paciente sobre a importância da adesão são fundamentais para o controle da pressão arterial e a redução de eventos cardiovasculares.

Perguntas Frequentes

O que define a Hipertensão Arterial Resistente (HAR)?

A HAR é definida como a pressão arterial que permanece acima da meta (geralmente >140/90 mmHg) apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético, em doses otimizadas, ou a necessidade de quatro ou mais medicamentos para atingir o controle.

Qual a importância da Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) na HAR?

A MAPA é crucial para confirmar a HAR verdadeira, distinguindo-a da hipertensão do avental branco (pressão alta apenas no consultório) e da pseudo-hipertensão, além de avaliar o padrão circadiano da PA e a eficácia do tratamento ao longo do dia.

Por que a espironolactona é a droga de escolha como 4º agente na HAR?

A espironolactona, um antagonista da aldosterona, é eficaz na HAR porque muitos casos têm um componente de hiperaldosteronismo primário ou secundário, mesmo que subclínico. Ela atua na retenção de sódio e água, reduzindo a pressão arterial de forma significativa.

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