Hipertensão Resistente: Abordagem com Espironolactona

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 55 anos, masculino, procura atendimento ambulatorial por dificuldade no manejo de seus níveis pressóricos. Reporta ser hipertenso há 10 anos em uso regular de clortalidona 25mg/dia, enalapril 20mg/dia e anlodipina 10mg/dia. Nega outros fármacos, tabagismo e comorbidades. Recentemente realizou exames de US Doppler de carótidas, teste ergométrico e exames laboratoriais sem alterações. Exame físico sem achados alterados exceto por PA= 155/92 mmHg em membro superior direito. Segundo o paciente, tais valores são semelhantes aos aferidos em domicílio. Neste caso, qual deve ser a abordagem farmacológica a ser instituída?

Alternativas

  1. A) Atenolol 50mg/dia.
  2. B) Clonidina 0,1mg/dia.
  3. C) Hidralazina 100mg/dia.
  4. D) Espironolactona 25mg/dia.

Pérola Clínica

Hipertensão resistente (PA elevada com 3+ fármacos, incluindo diurético) → adicionar espironolactona (antagonista da aldosterona).

Resumo-Chave

O paciente apresenta hipertensão resistente, definida como PA não controlada apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, em doses ótimas, sendo um deles um diurético. Nesses casos, a espironolactona, um antagonista do receptor de mineralocorticoide, é a droga de escolha para ser adicionada ao esquema terapêutico, devido ao seu mecanismo de ação que atua na via da aldosterona, frequentemente implicada na hipertensão resistente.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial resistente representa um desafio clínico significativo, afetando cerca de 10-20% dos pacientes hipertensos. É definida pela falha em atingir a meta pressórica (<140/90 mmHg ou <130/80 mmHg em alto risco) apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, em doses plenas, sendo um deles um diurético. É crucial descartar pseudo-resistência (má adesão, técnica de aferição incorreta, efeito do jaleco branco) e causas secundárias de hipertensão antes de firmar o diagnóstico. Uma vez confirmada a hipertensão resistente, a abordagem farmacológica deve ser cuidadosamente planejada. O paciente do caso já utiliza um diurético tiazídico (clortalidona), um inibidor da enzima conversora de angiotensina (enalapril) e um bloqueador de canal de cálcio (anlodipina), que são as classes de primeira linha. A adição de um quarto fármaco é necessária. Estudos clínicos demonstraram que a espironolactona, um antagonista do receptor de mineralocorticoide, é a droga mais eficaz para reduzir a pressão arterial em pacientes com hipertensão resistente, superando outros agentes como betabloqueadores ou alfa-bloqueadores. A espironolactona atua bloqueando os efeitos da aldosterona, um hormônio que promove a retenção de sódio e água e a excreção de potássio. Mesmo em pacientes sem hiperaldosteronismo primário, a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona pode contribuir para a resistência. A dose inicial usual é de 25 mg/dia, com monitoramento rigoroso dos eletrólitos (especialmente potássio) e da função renal. Outras opções para hipertensão resistente incluem diuréticos de alça (se TFG < 30 mL/min), alfa-bloqueadores (doxazosina) ou agentes de ação central (clonidina), mas a espironolactona é geralmente a preferida como quarta linha.

Perguntas Frequentes

Quando a hipertensão é considerada resistente?

A hipertensão é considerada resistente quando a pressão arterial permanece acima da meta (geralmente >140/90 mmHg) apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, em doses máximas ou otimizadas, incluindo um diurético.

Por que a espironolactona é a droga de escolha para hipertensão resistente?

A espironolactona é um antagonista do receptor de mineralocorticoide que bloqueia a ação da aldosterona. A hiperaldosteronismo, mesmo que subclínico, é um fator comum na patogênese da hipertensão resistente, tornando a espironolactona eficaz na redução da PA nesses casos.

Quais são os efeitos adversos da espironolactona e como monitorá-los?

Os principais efeitos adversos incluem hipercalemia, ginecomastia (em homens) e disfunção sexual. É crucial monitorar os níveis séricos de potássio e a função renal regularmente, especialmente em pacientes com risco aumentado de hipercalemia.

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