Hipertensão Arterial Resistente: Definição e Estratégias de Manejo

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Certo residente do primeiro ano de clínica médica recebeu das mãos do preceptor do ambulatório de cardiologia o prontuário de um paciente, com a seguinte orientação: “atenda esse paciente com hipertensão arterial resistente e, depois, me chame para discutir o caso”. Acerca da descrição que foi feita do paciente, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O paciente não é aderente ao tratamento antihipertensivo, nem medicamentoso, nem comportamental.
  2. B) Espera-se que o paciente esteja em uso de, ao menos, três anti-hipertensivos, em doses ainda otimizáveis, sendo, pelo menos um deles, um diurético.
  3. C) A fisiopatologia da hipertensão desse paciente advém principalmente da hiperatividade simpática, sendo o betabloqueador indicado ao caso.
  4. D) O uso de diurético, bloqueador do sistema reninaangiotensina-aldosterona e vasodilatador de ação direta são essenciais no manejo desse paciente.
  5. E) A hipertensão arterial resistente também pode ser chamada de refratária, desde que o paciente seja aderente ao tratamento, em dose otimizada.

Pérola Clínica

Hipertensão resistente → PA não controlada com 3 anti-hipertensivos (incluindo diurético), em doses máximas/toleradas, após exclusão de pseudo-resistência.

Resumo-Chave

A hipertensão arterial resistente é definida pela pressão arterial não controlada apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, em doses máximas ou otimizadas, sendo um deles um diurético, e após a exclusão de pseudo-resistência e causas secundárias. O manejo frequentemente envolve a otimização da terapia com diuréticos, bloqueadores do SRAA e, se necessário, vasodilatadores.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial resistente (HAR) é um desafio clínico significativo, afetando cerca de 10-20% dos pacientes hipertensos. É definida pela falha em atingir a pressão arterial alvo (<140/90 mmHg ou <130/80 mmHg para pacientes de alto risco) apesar do uso concomitante de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, em doses máximas toleradas, sendo um deles um diurético. É crucial, antes de firmar o diagnóstico, excluir a pseudo-resistência (má adesão, efeito do jaleco branco, técnica de medida incorreta) e investigar causas secundárias de hipertensão. O manejo da HAR exige uma abordagem sistemática. Após a exclusão de pseudo-resistência e causas secundárias, a otimização da terapia medicamentosa é fundamental. Isso geralmente envolve a garantia de um diurético eficaz (tiazídicos são preferidos, mas diuréticos de alça podem ser necessários em disfunção renal), um bloqueador do sistema renina-angiotensina-aldosterona (IECA ou BRA) e um bloqueador dos canais de cálcio. Em muitos casos, a adição de um antagonista do receptor mineralocorticoide, como a espironolactona, é altamente eficaz como quarta droga, especialmente em pacientes com hiperaldosteronismo primário ou retenção de volume. Vasodilatadores de ação direta, como hidralazina ou minoxidil, podem ser considerados em casos refratários. A alternativa D destaca a importância de um diurético, bloqueador do SRAA e vasodilatador de ação direta, que são pilares no manejo da HAR.

Perguntas Frequentes

Como é definida a hipertensão arterial resistente?

A hipertensão arterial resistente é definida como a pressão arterial que permanece acima da meta (geralmente >140/90 mmHg ou >130/80 mmHg em alto risco) apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, em doses máximas ou otimizadas, sendo um deles um diurético, e após a exclusão de pseudo-resistência.

Quais são as principais causas de pseudo-resistência na hipertensão?

As principais causas de pseudo-resistência incluem má adesão medicamentosa, técnica inadequada de aferição da PA (ex: manguito inadequado), efeito do jaleco branco, e uso de substâncias que elevam a PA (ex: AINEs, descongestionantes).

Quais são as classes de medicamentos essenciais no tratamento da hipertensão resistente?

As classes essenciais incluem um diurético (preferencialmente tiazídico ou de alça se TFG <30), um bloqueador do sistema renina-angiotensina-aldosterona (IECA ou BRA) e um bloqueador dos canais de cálcio. Mineralocorticoides (espironolactona) são frequentemente adicionados como quarta linha.

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