FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Paciente, 60 anos, com HAS desde os 47, sem outras comorbidades. Após longo período de bom controle pressórico, há 2 anos, passou a ter elevação da pressão arterial, sempre > 140/90 mmHg, em MRPA. O paciente está uso regular e correto de hidroclorotiazida 25 mg/dia, enalapril 40 mg/dia, amlodipina 10 mg/dia e atenolol 100 mg/dia. Trata-se de hipertensão
HAS resistente = PA > 140/90 mmHg com 3+ anti-hipertensivos (incluindo diurético) em doses máximas/toleradas → Investigar causas secundárias.
A hipertensão resistente é definida pela falha em atingir a meta pressórica com o uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, sendo um deles um diurético, em doses otimizadas. Nesses casos, a investigação de causas secundárias é fundamental, especialmente se houver piora do controle em paciente previamente bem controlado.
A hipertensão arterial resistente representa um desafio clínico significativo, afetando cerca de 10-20% dos pacientes hipertensos. É definida pela incapacidade de atingir as metas pressóricas (<140/90 mmHg ou <130/80 mmHg em alto risco) com o uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes distintas, sendo um deles um diurético, em doses otimizadas e comprovada adesão. Sua importância reside no maior risco de eventos cardiovasculares e renais. A fisiopatologia da hipertensão resistente é multifatorial, envolvendo fatores como hipervolemia, ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, hiperatividade simpática e rigidez arterial. O diagnóstico requer a exclusão de pseudo-resistência (má adesão, técnica de medida incorreta, efeito do avental branco) e a confirmação por monitorização ambulatorial da pressão arterial (MRPA) ou residencial (MAPA). A suspeita de causas secundárias é crucial, especialmente em pacientes com piora súbita do controle, HAS de início precoce ou tardio, ou presença de sinais e sintomas sugestivos. O tratamento da hipertensão resistente envolve a otimização do regime medicamentoso, com a adição de espironolactona como quarta droga, e a investigação e manejo das causas secundárias. O prognóstico melhora significativamente com a identificação e tratamento da causa subjacente, ressaltando a importância de uma abordagem diagnóstica e terapêutica abrangente para esses pacientes.
A hipertensão resistente é diagnosticada quando a pressão arterial permanece acima da meta (geralmente > 140/90 mmHg) apesar do uso correto de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético, em doses máximas ou toleradas.
Deve-se suspeitar de hipertensão secundária em pacientes com início súbito ou piora do controle da HAS, especialmente em idosos, ou naqueles com HAS resistente que não respondem ao tratamento otimizado.
As principais causas incluem doença renal parenquimatosa, estenose de artéria renal, aldosteronismo primário, feocromocitoma, síndrome de Cushing e apneia obstrutiva do sono.
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