Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022
Homem portador de hipertensão arterial sistêmica, em uso de hidroclorotiazida, valsartana, anlodipina e metoprolol, em doses máximas, permanece hipertenso, com níveis pressóricos em torno de 160 x 105 mmHg nas últimas consultas, confirmados pela monitorização ambulatorial de 24 horas (MAPA). O fármaco que deve ser adicionado é
Hipertensão resistente (3+ drogas, incluindo diurético) → adicionar espironolactona.
Em casos de hipertensão arterial resistente, definida como pressão arterial não controlada apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos em doses máximas, incluindo um diurético, a adição de um antagonista do receptor mineralocorticoide, como a espironolactona, é a estratégia de escolha devido à sua eficácia comprovada.
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição crônica que afeta uma parcela significativa da população, sendo um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Quando a pressão arterial permanece elevada apesar de um regime terapêutico adequado, configura-se a hipertensão resistente, um desafio clínico que exige uma abordagem sistemática e aprofundada. Residentes devem estar aptos a identificar e manejar esses casos. A fisiopatologia da hipertensão resistente é multifatorial, frequentemente envolvendo hiperatividade do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), retenção de sódio e volume, e disfunção endotelial. O diagnóstico requer a exclusão de pseudo-resistência (má aderência, técnica de medida incorreta) e causas secundárias de HAS. A Monitorização Ambulatorial de Pressão Arterial (MAPA) é essencial para confirmar o diagnóstico e descartar o efeito do jaleco branco. O tratamento da hipertensão resistente geralmente envolve a otimização das drogas existentes e a adição de um quarto agente. Após o uso de um diurético tiazídico, um bloqueador do SRAA (IECA ou BRA) e um bloqueador do canal de cálcio, a espironolactona é a droga de escolha. Sua eficácia se deve ao bloqueio dos receptores mineralocorticoides, que desempenham um papel crucial na patogênese da hipertensão resistente. Outras opções incluem alfa-bloqueadores ou outros diuréticos, mas a espironolactona tem a melhor evidência para essa condição.
A hipertensão arterial resistente é definida como a pressão arterial que permanece acima da meta (geralmente 130/80 mmHg) apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, em doses máximas e apropriadas, sendo um deles um diurético. É crucial excluir a pseudo-resistência e a hipertensão secundária.
A espironolactona, um antagonista do receptor mineralocorticoide, é a droga de escolha para hipertensão resistente porque muitos pacientes com essa condição apresentam hiperaldosteronismo primário ou secundário, mesmo que subclínico. A espironolactona bloqueia os efeitos da aldosterona, promovendo natriurese e diurese, e tem demonstrado eficácia superior na redução da pressão arterial nesses casos.
Os principais efeitos adversos da espironolactona incluem hipercalemia, ginecomastia (em homens), irregularidades menstruais e sensibilidade mamária (em mulheres). A monitorização regular dos níveis séricos de potássio e da função renal é fundamental durante o tratamento.
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