SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2025
Em seu consultório, você atende uma senhora de 65 anos portadora de hipertensão arterial sistémica em uso de losartan 50mg 12/12h, hidroclorotiazida 25mg 12/12h e amilodipina 10mg/dia que apresenta PA de 180×100mg e traz consigo o resultado de exame de Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial demonstrando resposta inadequada ao tratamento não medicamentoso. Qual seria o próximo tratamento farmacológico a ser introduzido?
HAS resistente a 3 drogas → Espironolactona é a 4ª linha preferencial, se função renal e potássio permitirem.
A hipertensão resistente é definida como PA não controlada apesar do uso de 3 anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético. A espironolactona, um antagonista do receptor mineralocorticoide, é a droga de escolha para adicionar como quarta linha, demonstrando eficácia superior a outros agentes.
A hipertensão arterial resistente representa um desafio clínico significativo, afetando cerca de 10-20% dos pacientes hipertensos e estando associada a um maior risco cardiovascular. Seu diagnóstico requer a exclusão de pseudo-resistência (má adesão, técnica de medida incorreta) e hipertensão secundária. O tratamento adequado é crucial para reduzir a morbimortalidade associada. Após otimização da terapia tripla (inibidor da ECA/BRA, bloqueador do canal de cálcio e diurético tiazídico), a espironolactona é a medicação de escolha como quarta linha. Seu benefício é atribuído ao bloqueio dos efeitos da aldosterona, que pode estar elevada em muitos casos de HAS resistente, mesmo sem aldosteronismo primário franco. Outras opções incluem betabloqueadores, alfa-bloqueadores ou vasodilatadores diretos, mas com menor evidência de eficácia como quarta linha. É fundamental que o residente compreenda a definição de HAS resistente, as etapas de investigação e as opções terapêuticas. A monitorização de eletrólitos e função renal é indispensável ao iniciar espironolactona, devido ao risco de hipercalemia. A adesão ao tratamento e a identificação de causas secundárias são pilares para o sucesso do manejo.
A hipertensão é classificada como resistente quando a pressão arterial permanece acima da meta, apesar do uso de três classes diferentes de anti-hipertensivos em doses máximas toleradas, sendo um deles um diurético, ou quando o controle é alcançado com quatro ou mais medicamentos.
A espironolactona é um antagonista do receptor mineralocorticoide que bloqueia a ação da aldosterona, levando ao aumento da excreção de sódio e água e retenção de potássio. Na HAS resistente, frequentemente há um componente de hiperaldosteronismo, mesmo que subclínico, que a espironolactona pode modular.
As principais contraindicações incluem hipercalemia (potássio > 5,0 mEq/L), insuficiência renal grave (eGFR < 30 mL/min/1.73m²) e doença de Addison. É crucial monitorar os níveis de potássio e a função renal após o início do tratamento.
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