Hipertensão Refratária: Estratégias na Atenção Primária

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Pedro, de 62 anos de idade, hipertenso, não tem conseguido manter bom controle da pressão arterial com uso de inibidor da enzima de conversão da angiotensina (IECA) associado a diurético tiazídico, apesar de ser aderente à proposta terapêutica, incluindo todas as mudanças de estilo de vida.No caso clínico acima, uma boa opção a ser adotada no âmbito da atenção primária à saúde é

Alternativas

  1. A) associar bloqueador de canal de cálcio, por ser uma classe medicamentosa com boa sinergia para o caso.
  2. B) solicitar exames para hipertensão secundária, bastante comum na faixa etária do paciente.
  3. C) encaminhar o paciente ao cardiologista, pois se trata de uma hipertensão de difícil controle em nível de atenção primária.
  4. D) encaminhar o paciente ao nefrologista, pois se trata de uma hipertensão de difícil controle em nível de atenção primária.
  5. E) trocar o IECA por betabloqueador, pois este com o diurético tiazídico constitui a associação com melhor controle de pressão arterial e de lesões de órgãos-alvo.

Pérola Clínica

Hipertensão não controlada com IECA + tiazídico → adicionar bloqueador de canal de cálcio para sinergia.

Resumo-Chave

Quando a hipertensão não é controlada com uma combinação de IECA (ou BRA) e diurético tiazídico, a próxima etapa na atenção primária é adicionar um bloqueador de canal de cálcio. Essa combinação de três classes (IECA/BRA + diurético + BCC) é altamente eficaz e bem tolerada, com boa sinergia para o controle pressórico.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial sistêmica é uma condição crônica de alta prevalência, e seu controle adequado é fundamental para prevenir complicações cardiovasculares. Na Atenção Primária à Saúde (APS), o manejo da hipertensão segue um algoritmo escalonado, começando com monoterapia e progredindo para terapia combinada quando as metas pressóricas não são atingidas. A combinação de um inibidor da enzima conversora da angiotensina (IECA) ou bloqueador do receptor da angiotensina (BRA) com um diurético tiazídico é uma das duplas mais eficazes e recomendadas. Quando essa combinação não é suficiente para controlar a pressão arterial, o próximo passo lógico e recomendado pelas diretrizes é adicionar um terceiro fármaco. O bloqueador de canal de cálcio (BCC) é uma excelente opção devido à sua boa sinergia com as classes já em uso. Os BCCs atuam por um mecanismo diferente, promovendo vasodilatação e reduzindo a resistência vascular periférica, o que complementa a ação dos IECAs/BRAs e diuréticos. Essa combinação tríplice é geralmente bem tolerada e altamente eficaz. Antes de considerar a hipertensão como refratária ou encaminhar para um especialista, é crucial otimizar a terapia medicamentosa na APS, garantir a adesão do paciente e revisar as mudanças de estilo de vida. A investigação de hipertensão secundária é importante, mas geralmente é considerada após a falha de uma terapia tríplice otimizada, especialmente em pacientes mais jovens ou com características atípicas. A troca de classes eficazes por outras menos sinérgicas, como substituir um IECA por um betabloqueador sem indicação específica, não é a conduta ideal.

Perguntas Frequentes

Quais são as combinações preferenciais de anti-hipertensivos?

As combinações preferenciais incluem IECA/BRA com diurético tiazídico ou bloqueador de canal de cálcio. Em casos de hipertensão não controlada com dois fármacos, a combinação de IECA/BRA + diurético tiazídico + bloqueador de canal de cálcio é uma estratégia de primeira linha.

Quando a hipertensão é considerada de difícil controle ou refratária?

A hipertensão é considerada de difícil controle quando a pressão arterial permanece acima da meta, apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de diferentes classes, incluindo um diurético, em doses otimizadas. A refratariedade é confirmada após exclusão de pseudorresistência e causas secundárias.

Por que o bloqueador de canal de cálcio é uma boa opção para adicionar à terapia com IECA e diurético?

Os bloqueadores de canal de cálcio (BCC) atuam por um mecanismo diferente (vasodilatação periférica) e complementam a ação do IECA/BRA (sistema renina-angiotensina) e do diurético (volume). Essa combinação de três classes é potente, tem boa tolerabilidade e é eficaz na redução da pressão arterial e na proteção de órgãos-alvo.

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