Hipertensão Pulmonar: Sinais no ECG e Radiografia de Tórax

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2025

Enunciado

Paciente do sexo feminino com 38 anos de idade foi atendida no ambulatório de cardiologia do Hospital Universitário com queixa de dispneia, apresentando piora progressiva no último mês. Após avaliação clínica inicial, foram realizados exames de eletrocardiograma e radiografia de tórax, que evidenciaram algumas alterações. Diante dos exames realizados, qual a principal hipótese diagnóstica e quais alterações são observadas nos exames a seguir?

Alternativas

  1. A) Síndrome de Takotsubo; eixo elétrico do QRS desviado para a esquerda; radiografia de tórax com sinal do quarto arco.
  2. B) Hipertensão arterial pulmonar; “strain de VD” e abaulamento do tronco da artéria pulmonar.
  3. C) Hipertensão essencial; eixo elétrico do QRS para a direita e abaulamento do tronco da artéria aorta.
  4. D) Taquicardia sinusal; eixo elétrico do QRS desviado; sinal de Westmark.
  5. E) Pericardite aguda; eixo elétrico do QRS para a esquerda; infradesnível do intervalo PR.

Pérola Clínica

HAP → dispneia progressiva, ECG com strain de VD, RX tórax com abaulamento de tronco da artéria pulmonar.

Resumo-Chave

A hipertensão arterial pulmonar é uma condição grave caracterizada por aumento da pressão nas artérias pulmonares, levando à sobrecarga e disfunção do ventrículo direito. A dispneia progressiva é o sintoma mais comum, e os exames complementares como ECG e radiografia de tórax podem fornecer pistas importantes para o diagnóstico, como sinais de sobrecarga de VD e dilatação da artéria pulmonar.

Contexto Educacional

A Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) é uma doença rara, progressiva e potencialmente fatal, caracterizada pelo aumento da pressão nas artérias pulmonares, levando à falência do ventrículo direito. Afeta predominantemente mulheres jovens, e sua importância clínica reside na alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A suspeita clínica é crucial, baseada em sintomas inespecíficos como dispneia progressiva, fadiga e dor torácica. A fisiopatologia envolve remodelamento vascular pulmonar, com proliferação de células musculares lisas e endoteliais, resultando em vasoconstrição e trombose in situ. O diagnóstico inicial frequentemente se baseia em achados de exames complementares. No eletrocardiograma, sinais de sobrecarga de ventrículo direito, como desvio do eixo para a direita e "strain" de VD, são indicativos. A radiografia de tórax pode mostrar dilatação do tronco da artéria pulmonar e cardiomegalia. O ecocardiograma é fundamental para estimar a pressão na artéria pulmonar e avaliar a função do VD, mas o diagnóstico definitivo requer cateterismo cardíaco direito. O tratamento da HAP visa reduzir a pressão arterial pulmonar e melhorar a função do ventrículo direito, utilizando terapias específicas que atuam nas vias da prostaciclina, óxido nítrico e endotelina. O prognóstico melhorou significativamente com o advento dessas terapias, mas a doença ainda representa um desafio. É vital para o residente reconhecer os sinais precoces e encaminhar o paciente para centros especializados, pois o manejo inadequado pode levar à rápida deterioração clínica e óbito.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de hipertensão arterial pulmonar no eletrocardiograma?

No ECG, a hipertensão arterial pulmonar pode se manifestar com sinais de sobrecarga de ventrículo direito, como desvio do eixo elétrico para a direita, onda P pulmonale (P apiculada em DII, DIII, aVF), bloqueio de ramo direito incompleto ou completo, e padrão de "strain" de VD (infradesnivelamento de ST e inversão de onda T em V1-V3).

Que alterações a radiografia de tórax pode mostrar em pacientes com hipertensão pulmonar?

A radiografia de tórax pode evidenciar cardiomegalia às custas do ventrículo direito, dilatação do tronco da artéria pulmonar e de seus ramos principais (abaulamento do arco médio esquerdo), e sinais de oligoemia periférica (sinal de Westermark), embora este último seja menos comum e específico.

Qual a importância da dispneia progressiva no diagnóstico de hipertensão arterial pulmonar?

A dispneia progressiva é o sintoma mais comum e limitante na HAP, refletindo a incapacidade do ventrículo direito de manter o débito cardíaco adequado frente à alta resistência vascular pulmonar. Sua piora gradual deve levantar a suspeita de HAP, especialmente em pacientes jovens sem outras causas óbvias.

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