UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Pode-se afirmar que, segundo a OMS, em mulher portadora de cardiopatia congênita, a condição relacionada a maior morbimortalidade materno-fetal é:
Hipertensão Pulmonar Grave (OMS Classe IV) → Maior risco de morbimortalidade materno-fetal, sendo uma contraindicação absoluta à gestação.
A hipertensão arterial pulmonar (HAP) grave (incluindo a Síndrome de Eisenmenger) carrega um risco de mortalidade materna de 30-50%. As alterações hemodinâmicas fisiológicas da gravidez, como o aumento do débito cardíaco, sobrecarregam o ventrículo direito, levando à falência cardíaca aguda e morte.
A gestação impõe uma sobrecarga hemodinâmica significativa ao sistema cardiovascular, incluindo aumento do volume sanguíneo, da frequência cardíaca e do débito cardíaco. Em mulheres com cardiopatias preexistentes, essas alterações fisiológicas podem descompensar a condição de base, resultando em alta morbimortalidade materno-fetal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) propôs uma classificação de risco para estratificar essas pacientes e orientar o aconselhamento e manejo. A classificação da OMS varia da Classe I (risco muito baixo) à Classe IV (risco extremamente alto, com contraindicação à gestação). Dentre todas as condições, a hipertensão arterial pulmonar (HAP) grave, de qualquer etiologia, e a Síndrome de Eisenmenger (HAP secundária a um shunt sistêmico-pulmonar com reversão do fluxo) são as que conferem o maior risco, sendo classificadas como OMS IV. A mortalidade materna nesses casos pode atingir 30 a 50%. A fisiopatologia dessa gravidade reside na incapacidade do ventrículo direito, já sobrecarregado pela alta pressão pulmonar, de se adaptar ao aumento do débito cardíaco exigido pela gravidez. Isso leva à falência ventricular direita aguda, baixo débito sistêmico, isquemia e morte súbita, especialmente no periparto e puerpério. Por essa razão, a gestação é formalmente contraindicada, e o aconselhamento contraceptivo é um pilar do cuidado dessas pacientes.
A classe IV da OMS inclui: hipertensão arterial pulmonar de qualquer etiologia (incluindo Síndrome de Eisenmenger), disfunção ventricular sistêmica grave (FEVE <30%), estenose mitral ou aórtica grave sintomáticas, e Síndrome de Marfan com aorta dilatada (>45mm).
Devido ao risco de mortalidade materna de 30-50%, a interrupção da gestação é fortemente recomendada. Se a paciente optar por continuar, o acompanhamento deve ser realizado em um centro terciário por uma equipe multidisciplinar, com monitorização intensiva e planejamento rigoroso do parto e puerpério.
A Tetralogia de Fallot corrigida, sem disfunção ventricular significativa, obstruções residuais importantes ou arritmias, geralmente se enquadra na Classe II ou III da OMS, representando um risco baixo a moderado. O risco aumenta significativamente se houver disfunção do ventrículo direito ou regurgitação pulmonar grave.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo