INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Um menino de 9 anos de idade, do sexo masculino, é atendido em emergência hospitalar por trauma em dedo, necessitando de curativo. No entanto, foi constatado em seu exame físico pressão arterial no percentil 97 para a idade, o sexo e a altura. Ao ser questionada, a mãe informa que em outros atendimentos médicos realizados nesse mesmo ano recebeu a mesma informação, mas que não se preocupou, pois a criança é assintomática. O restante do exame físico é normal, mas seu IMC está no Z-score maior que 3. Os pais e tios maternos e paternos são hipertensos. Diante desse quadro, constitui conduta adequada:
PA ≥ percentil 95 em crianças → Investigar causas secundárias + Mudança de estilo de vida.
A hipertensão em pediatria, especialmente quando associada à obesidade grave (Z-score > 3), exige confirmação diagnóstica e investigação de causas secundárias e lesões de órgão-alvo.
A hipertensão arterial pediátrica é uma condição crescente devido à epidemia de obesidade infantil. No entanto, a diretriz da Academia Americana de Pediatria reforça que, embora a obesidade seja um fator de risco primário, a investigação de causas secundárias não deve ser negligenciada, especialmente em crianças pré-púberes. O manejo inicial foca na redução ponderal e controle dietético, mas a monitorização rigorosa é essencial para prevenir complicações cardiovasculares precoces. Estudos mostram que a hipertensão na infância prediz fortemente a hipertensão na vida adulta. O rastreio deve começar aos 3 anos de idade em consultas de rotina, ou antes, se houver fatores de risco como prematuridade ou doença renal conhecida. O uso do Z-score do IMC ajuda a estratificar o risco metabólico, sendo que valores acima de +3 indicam obesidade grave com alto risco de comorbidades associadas.
O diagnóstico de hipertensão arterial em crianças e adolescentes (até 13 anos) é baseado em tabelas de percentis que consideram idade, sexo e altura. Define-se hipertensão quando a média da pressão arterial sistólica e/ou diastólica é maior ou igual ao percentil 95 em três ou mais ocasiões distintas. Para adolescentes acima de 13 anos, utilizam-se os mesmos pontos de corte dos adultos (≥ 130/80 mmHg). É fundamental o uso de manguitos de tamanho adequado para evitar erros de leitura.
Diferente dos adultos, quanto menor a criança e maior o nível pressórico, maior a chance de uma causa secundária. As doenças renais parenquimatosas (como glomerulonefrites e cicatrizes de pielonefrite) são as mais comuns, seguidas por causas renovasculares (estenose de artéria renal) e coarctação da aorta. Causas endócrinas, como feocromocitoma e hiperaldosteronismo, são mais raras, mas devem ser consideradas em casos refratários ou com sintomas sugestivos.
A conduta inicial envolve a orientação imediata de mudanças no estilo de vida, focando em dieta hipossódica e atividade física, visando o controle do IMC. Simultaneamente, deve-se iniciar a investigação etiológica para descartar causas secundárias e avaliar lesões em órgãos-alvo (como hipertrofia ventricular esquerda via ecocardiograma). O tratamento farmacológico é reservado para hipertensão estágio 2, hipertensão sintomática, presença de lesão de órgão-alvo ou falha nas medidas não farmacológicas.
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