UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022
Menino, 8 anos de idade, com diagnóstico de obesidade e antecedente de hipodisplasia renal bilateral, apresenta clearance de creatinina de 85 ml/min/1,73 m² (estável nas últimas 3 consultas) e microalbuminúria de 24 horas de 550 mg. Nas últimas 3 consultas, vem mantendo níveis tensionais acima do percentil 95 + 12 mmHg. Realizou fundo de olho e ecocardiograma, sem alterações. Qual seria a classe de anti-hipertensivos mais indicada para esse paciente?
Criança com hipertensão + microalbuminúria + doença renal → IECA é a primeira escolha para proteção renal.
Em crianças com hipertensão arterial e evidência de doença renal (como hipodisplasia renal e microalbuminúria), os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) são a classe de anti-hipertensivos de primeira linha. Eles oferecem não apenas controle pressórico, mas também nefroproteção significativa ao reduzir a proteinúria e retardar a progressão da doença renal.
A hipertensão arterial em crianças, especialmente quando associada a comorbidades como obesidade e doença renal crônica (DRC), exige uma abordagem terapêutica cuidadosa e focada na proteção de órgãos-alvo. A presença de hipodisplasia renal bilateral e microalbuminúria significativa (550 mg/24h) neste paciente de 8 anos indica uma nefropatia estabelecida e um alto risco de progressão da DRC, mesmo com um clearance de creatinina ainda relativamente preservado. Nesse cenário, os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) são a classe de anti-hipertensivos de primeira escolha. Além de seu efeito anti-hipertensivo, os IECA possuem propriedades nefroprotetoras comprovadas, que incluem a redução da proteinúria, a diminuição da pressão intraglomerular e a atenuação da fibrose renal. Esses efeitos são cruciais para retardar a progressão da doença renal e preservar a função renal a longo prazo. Para residentes, é vital compreender que o manejo da hipertensão em pacientes pediátricos com DRC vai além do simples controle pressórico. A escolha do anti-hipertensivo deve considerar os benefícios adicionais para os órgãos-alvo. Monitorar a função renal e os níveis de potássio é essencial ao iniciar e durante o tratamento com IECA, devido ao risco de hipercalemia e piora da função renal em pacientes suscetíveis.
Os IECA atuam bloqueando a conversão da angiotensina I em angiotensina II, um potente vasoconstritor e promotor de fibrose. Isso resulta em vasodilatação da arteríola eferente glomerular, redução da pressão intraglomerular, diminuição da proteinúria e retardo da progressão da doença renal.
Os principais efeitos adversos incluem tosse seca, hipercalemia e, mais raramente, angioedema. É fundamental monitorar a função renal e os níveis de potássio, especialmente no início do tratamento ou em pacientes com doença renal preexistente.
Outras classes, como bloqueadores de canal de cálcio ou diuréticos, podem ser adicionadas se a monoterapia com IECA não for suficiente para controlar a pressão arterial, ou se houver intolerância aos IECA. Em casos específicos, betabloqueadores podem ser considerados.
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