Classificação da Pressão Arterial em Pediatria (SBP 2019)

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Menino de 5 anos de idade comparece a consulta de puericultura na Unidade Básica de Saúde. A mãe e o menino não apresentam queixas. No prontuário, está registrado que o paciente não apresenta antecedentes neonatais e patológicos importantes, porém encontra-se com diagnóstico nutricional de obesidade (peso: 24 Kg; altura: 112 cm; e IMC: 19,93 Kg/m2 ), não havendo relato de aferição da pressão arterial em consultas anteriores. São confirmados os dados da antropometria e é aferida a pressão arterial do paciente por 3 vezes, sendo a média das aferições de PA de 107 X 65 mmHg; restante do exame físico sem alterações. Utilizando a tabela de pressão arterial por idade, sexo e estatura (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2019), foi verificado PA maior ou igual ao percentil 90 e menor que o percentil 95 para idade, sexo e altura. Diante disso, a classificação desse paciente quanto aos níveis de pressão arterial e a conduta inicial indicada são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Hipertensão arterial estágio 2; encaminhamento para especialista avaliar melhor conduta diagnóstica e tratamento medicamentoso.
  2. B) Hipertensão arterial estágio 1; Alimentação adequada e controle de peso, prática de atividade física e iniciar inibidor da enzima conversora da angiotensina (IECA).
  3. C) Pressão arterial normal alta; alimentação adequada, controle de peso, estímulo à redução de práticas sedentárias, com realização de atividade física, e reavaliações periódicas.
  4. D) Pressão arterial elevada; alimentação adequada, controle de peso, estímulo à redução de práticas sedentárias, com realização de atividade física, e reavaliações periódicas.

Pérola Clínica

PA entre P90 e P95 (ou 120/80 mmHg) em <13 anos = Pressão Arterial Elevada.

Resumo-Chave

A classificação de 'Pressão Arterial Elevada' em pediatria exige mudanças no estilo de vida e reavaliações periódicas antes de considerar diagnóstico de hipertensão ou terapia medicamentosa.

Contexto Educacional

A avaliação da pressão arterial em pediatria é complexa pois depende de tabelas de percentis que consideram idade, sexo e estatura. A diretriz da Sociedade Brasileira de Pediatria (2019), alinhada com a American Academy of Pediatrics (AAP), busca identificar precocemente crianças em risco cardiovascular. No caso de pacientes obesos, a hipertensão primária é frequente, mas a investigação de causas secundárias (especialmente renais) não deve ser negligenciada se os níveis de PA forem muito elevados (Estágio 2) ou se a criança for muito jovem. O tratamento inicial para PA Elevada é sempre focado em hábitos de vida, reservando fármacos para hipertensão persistente ou sintomática.

Perguntas Frequentes

Como é definida a Pressão Arterial Elevada em crianças menores de 13 anos?

Em crianças de 1 a 13 anos, a Pressão Arterial Elevada é definida como valores de PA sistólica e/ou diastólica ≥ Percentil 90 e < Percentil 95 para idade, sexo e estatura. Se o valor absoluto for ≥ 120/80 mmHg, mas ainda estiver abaixo do P95, também é classificado como PA Elevada, seguindo a tendência de alinhamento com os critérios de adultos.

Qual a conduta inicial para uma criança com PA Elevada?

A conduta inicial é não farmacológica, focando em mudanças no estilo de vida (MEV). Isso inclui orientação para alimentação saudável (redução de sódio e ultraprocessados), controle de peso (especialmente em pacientes com obesidade, como no caso clínico) e estímulo à atividade física regular. A PA deve ser reavaliada em 6 meses.

Quando uma criança é diagnosticada com Hipertensão Estágio 1?

A Hipertensão Estágio 1 é diagnosticada quando a média da PA é ≥ Percentil 95 e < Percentil 95 + 12 mmHg (ou entre 130/80 e 139/89 mmHg para maiores de 13 anos). O diagnóstico definitivo requer medidas alteradas em pelo menos três ocasiões diferentes.

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