HAS Descontrolada: Abordagem Completa e Otimização

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Seu Nelson, 62 anos, negro, tabagista, hipertenso, apresentando no momento da consulta um exame recente que mostra um colesterol total de 300 mg\dl e uma glicose de 114 mg\dl. Sua pressão arterial estava em 180x100mmhg e fazia uso do captopril 50mg de 12 em 12 horas, porém segundo ele mesmo ""quando toma cerveja não toma o remédio da pressão"". Com base neste caso marque a alternativa que representa a conduta mais apropriada:

Alternativas

  1. A) Passar o captopril de 8/8 h para regular a pressão.
  2. B) Acrescentar diurético para auxiliar no tratamento da hipertensão, bem como solicitar uma curva glicêmica.
  3. C) Trocar o captopril por um bloqueador de canal de cálcio, iniciar o uso de estatina e metformina e estimular o abandono do tabagismo.
  4. D) Solicitar as frações do colesterol, trocar o captopril por um bloqueador de canal de cálcio, solicitar nova glicemia com hemoglobina glicada e estimular o abandono do tabagismo.
  5. E) Iniciar estatina, acrescentar a Losartana 50 mg 12/12horas e solicitar MAPA, ECG e Ecocardiograma.

Pérola Clínica

HAS + múltiplos fatores risco + má adesão → Reavaliar tratamento, investigar comorbidades, reforçar mudança estilo de vida.

Resumo-Chave

Em pacientes com HAS não controlada e múltiplos fatores de risco, é essencial reavaliar a terapia anti-hipertensiva, investigar a fundo as comorbidades (dislipidemia, glicemia) e, crucialmente, abordar a adesão ao tratamento e o estilo de vida.

Contexto Educacional

Este caso ilustra um cenário comum na atenção primária: um paciente com hipertensão arterial sistêmica (HAS) descontrolada e múltiplos fatores de risco cardiovascular, incluindo tabagismo, dislipidemia e pré-diabetes, além de má adesão ao tratamento. A abordagem inicial deve ser abrangente, visando não apenas o controle da pressão arterial, mas também a estratificação de risco e o manejo de todas as comorbidades. A conduta mais apropriada envolve uma reavaliação completa. Solicitar as frações do colesterol é crucial para uma estratificação de risco cardiovascular mais precisa, e a hemoglobina glicada oferece uma visão mais fidedigna do controle glicêmico a longo prazo do que uma glicemia isolada. A troca do captopril por um bloqueador de canal de cálcio pode ser benéfica, considerando que pacientes negros podem ter uma resposta pressórica mais favorável a essa classe de medicamentos. Além disso, a má adesão ao tratamento, evidenciada pela interrupção da medicação ao consumir álcool, deve ser abordada com aconselhamento e, se possível, simplificação do esquema terapêutico. O estímulo ao abandono do tabagismo é uma intervenção de altíssima prioridade, com impacto significativo na redução do risco cardiovascular. A abordagem deve ser multifacetada, incluindo aconselhamento motivacional e, se indicado, terapia farmacológica. O manejo desses pacientes exige uma visão holística, focando na educação em saúde, na otimização da farmacoterapia e na modificação do estilo de vida para prevenir eventos cardiovasculares maiores.

Perguntas Frequentes

Qual a importância de solicitar frações do colesterol e hemoglobina glicada neste caso?

As frações do colesterol são essenciais para uma estratificação de risco cardiovascular mais precisa. A hemoglobina glicada fornece uma média da glicemia nos últimos 3 meses, sendo mais fidedigna que uma glicemia isolada para avaliar o controle glicêmico e o risco de diabetes.

Por que trocar o captopril por um bloqueador de canal de cálcio?

O captopril é um IECA, e a troca por um bloqueador de canal de cálcio pode ser uma estratégia para otimizar o controle pressórico, especialmente em pacientes negros, que podem responder melhor a BCCs ou diuréticos. Além disso, a má adesão ao esquema de 12/12h pode ser um fator.

Como abordar a má adesão ao tratamento e o tabagismo?

A má adesão deve ser investigada e abordada com estratégias de educação em saúde, simplificação do esquema terapêutico e reforço da importância do tratamento. O abandono do tabagismo é uma prioridade máxima, exigindo aconselhamento e, se necessário, suporte farmacológico.

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