Hipertensão em Idosos: Ajuste Terapêutico e Polifarmácia

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 73 anos, hipertensa, diabética e portadora de DAC com angina estável, vem à consulta sem queixas, para seguimento de rotina. Em uso de enalapril, anlodipino, metformina, AAS e metoprolol. Ao exame físico, apresenta PA = 112 x 62 mmHg, FC = 68 bpm, sem demais achados. A melhor conduta nesse momento para tratamento da hipertensão arterial sistêmica é

Alternativas

  1. A) suspensão do anlodipino.
  2. B) suspensão do metoprolol.
  3. C) manutenção do tratamento.
  4. D) transição de metoprolol para hidroclorotiazida.
  5. E) transição de enalapril para losartana.

Pérola Clínica

Idoso com HAS e polifarmácia + PA controlada + sem queixas → reavaliar medicamentos que podem causar hipotensão.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com múltiplas comorbidades e polifarmácia, a meta de pressão arterial pode ser menos agressiva. Uma PA de 112x62 mmHg, embora pareça boa, pode indicar excesso de medicação, especialmente em um paciente sem queixas, e o anlodipino é um vasodilatador potente que pode ser ajustado.

Contexto Educacional

O manejo da hipertensão arterial sistêmica (HAS) em pacientes idosos, especialmente aqueles com múltiplas comorbidades como diabetes e doença arterial coronariana (DAC), é um desafio clínico. A polifarmácia é comum nessa população, aumentando o risco de interações medicamentosas e efeitos adversos, como a hipotensão. As metas de pressão arterial em idosos devem ser individualizadas, considerando a fragilidade, comorbidades e tolerância ao tratamento, geralmente sendo menos agressivas para evitar hipotensão e suas consequências, como quedas. No caso apresentado, a paciente de 73 anos, com HAS, diabetes e DAC, em uso de múltiplos anti-hipertensivos (enalapril, anlodipino, metoprolol), apresenta uma PA de 112x62 mmHg sem queixas. Essa pressão, embora dentro da normalidade, pode ser excessivamente baixa para uma idosa polimedicada, aumentando o risco de hipotensão, especialmente com o anlodipino, um bloqueador de canal de cálcio com potente efeito vasodilatador. A conduta mais prudente seria reavaliar a necessidade de todos os anti-hipertensivos, começando pela redução ou suspensão do medicamento que mais contribui para a vasodilatação e que pode ser ajustado com menor impacto nas outras comorbidades. A suspensão do anlodipino é uma opção razoável para tentar elevar a PA discretamente e reduzir o risco de hipotensão, mantendo o controle das outras condições. É crucial que residentes aprendam a balancear o controle da PA com a segurança do paciente idoso, evitando a hipotensão iatrogênica.

Perguntas Frequentes

Qual a meta de pressão arterial para idosos com comorbidades?

A meta de PA para idosos com comorbidades pode ser menos rigorosa do que para adultos jovens, geralmente visando PA sistólica <130-140 mmHg e diastólica <80-90 mmHg, individualizando para evitar hipotensão e seus riscos.

Quais os riscos da hipotensão em pacientes idosos?

A hipotensão em idosos, especialmente a ortostática, aumenta o risco de tonturas, síncope, quedas e lesões, além de poder comprometer a perfusão de órgãos vitais como cérebro e coração.

Quando considerar a redução ou suspensão de anti-hipertensivos?

A redução ou suspensão de anti-hipertensivos deve ser considerada quando o paciente idoso apresenta PA muito baixa ou controlada em excesso, especialmente se assintomático, para evitar hipotensão iatrogênica e seus efeitos adversos.

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