HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023
Mulher, 36 anos, tem antecedentes de hipertensão arterial e troca valvar mitral por prótese metálica há 9 anos. Está em uso regular de enalapril 10 mg 12/12h e varfarina 5 mg/dia, com bom controle dos níveis pressóricos e do tempo de protrombina. Após atraso menstrual, procurou ginecologista e foi confirmada gravidez. Encontra-se na 6a semana de gestação, confirmada por ultrassonografia transvaginal. Qual é a conduta correta neste momento?
Gravidez + IECA/BRA + Varfarina → Substituir por Metildopa/Nifedipina e Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM) devido à teratogenicidade.
O enalapril (IECA) e a varfarina são contraindicados na gravidez devido aos seus efeitos teratogênicos. O enalapril deve ser substituído por anti-hipertensivos seguros na gestação, como a metildopa, e a varfarina por heparina de baixo peso molecular (HBPM), que não atravessa a barreira placentária.
A gestação em pacientes com comorbidades como hipertensão arterial e prótese valvar metálica representa um desafio clínico significativo, exigindo um manejo farmacológico cuidadoso. A segurança fetal é primordial, e muitos medicamentos rotineiramente utilizados fora da gravidez são contraindicados devido ao risco de teratogenicidade. É fundamental que residentes e profissionais de saúde estejam cientes dessas particularidades. No caso da hipertensão, inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o enalapril, e bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) são absolutamente contraindicados na gravidez, especialmente a partir do segundo trimestre, devido ao risco de malformações renais, oligodrâmnio e restrição de crescimento fetal. A metildopa é um anti-hipertensivo de primeira linha e seguro para uso na gestação. Para pacientes com prótese valvar metálica, a anticoagulação é essencial, mas a varfarina é teratogênica, podendo causar embriopatia por varfarina no primeiro trimestre e hemorragias fetais. A substituição por heparina de baixo peso molecular (HBPM) ou heparina não fracionada é a conduta correta, pois estas não atravessam a barreira placentária. A transição da medicação deve ser feita o mais precocemente possível, idealmente antes da concepção ou assim que a gravidez for confirmada. O acompanhamento multidisciplinar é crucial para otimizar o controle das comorbidades maternas e garantir a segurança do feto, minimizando os riscos associados à gestação de alto risco.
O enalapril, um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA), é teratogênico, especialmente no segundo e terceiro trimestres, podendo causar malformações renais, oligodrâmnio e restrição de crescimento fetal.
A varfarina é teratogênica, causando embriopatia por varfarina (malformações ósseas e do SNC) no primeiro trimestre e risco de hemorragia fetal. Deve ser substituída por heparina de baixo peso molecular (HBPM) ou heparina não fracionada, que não atravessam a placenta.
Os anti-hipertensivos de primeira linha seguros na gravidez incluem metildopa, labetalol e nifedipina. Hidralazina também pode ser utilizada, principalmente em emergências hipertensivas.
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