HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2024
M.B.A., 29 anos, GII PI 1N A0, vem à primeira consulta de pré-natal com IG de 9 semanas. Nega comorbidades. Durante a aferição de pressão arterial, com manguito adequado, verificou-se PA de 144 x 92 mmHg. Ainda, trouxe exame laboratorial, realizado com IG de 8 semanas, demonstrando glicemia de jejum de 92 mg/dL.Com relação à pressão arterial, assinale a alternativa que apresenta a conduta correta.
PA elevada em 1ª consulta pré-natal (<20 sem) → Confirmar diagnóstico com aferições repetidas/MAPA/MRPA antes de medicar.
Uma única medida de PA elevada no início da gestação não é suficiente para diagnóstico de hipertensão crônica ou pré-eclâmpsia. É essencial confirmar a elevação persistente com aferições repetidas, idealmente em casa (MRPA) ou por MAPA, antes de iniciar tratamento medicamentoso.
A hipertensão arterial na gravidez é uma das condições médicas mais comuns e uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. É fundamental diferenciar entre hipertensão crônica (presente antes da gestação ou diagnosticada antes de 20 semanas), hipertensão gestacional (após 20 semanas sem proteinúria), e pré-eclâmpsia. No caso apresentado, uma única medida de PA elevada (144x92 mmHg) antes de 20 semanas de gestação levanta a suspeita de hipertensão crônica. No entanto, o diagnóstico não pode ser feito com uma única aferição. É crucial confirmar a elevação persistente da PA, idealmente com aferições repetidas em diferentes ocasiões ou através de monitorização ambulatorial de pressão arterial (MAPA) ou monitorização residencial de pressão arterial (MRPA). A conduta inicial, portanto, é orientar a paciente sobre a aferição correta da PA em casa e reavaliar no retorno, antes de considerar o início de medicação anti-hipertensiva. Medicamentos como metildopa, nifedipino e labetalol são seguros na gravidez, enquanto IECA e BRA são contraindicados. O manejo adequado visa controlar a PA para prevenir complicações maternas e fetais, sem causar hipotensão que comprometa a perfusão placentária.
O diagnóstico de hipertensão na gravidez requer duas aferições de pressão arterial elevadas (PA ≥ 140/90 mmHg) com pelo menos 4 horas de intervalo, ou uma única medida grave (PA ≥ 160/110 mmHg), confirmadas por métodos adequados.
A MRPA é importante para confirmar o diagnóstico de hipertensão, diferenciar hipertensão do avental branco, avaliar a eficácia do tratamento e identificar padrões de PA que podem indicar risco de complicações, oferecendo dados mais representativos da PA habitual.
Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) são absolutamente contraindicados na gravidez devido aos riscos de teratogenicidade e toxicidade fetal, especialmente no segundo e terceiro trimestres.
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