Hipertensão e Diabetes: Escolha do Anti-hipertensivo Ideal

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 58 anos de idade, obeso, hipertenso e diabético, em uso de atenolol 25 mg/dia, de hidroclorotiazida 25 mg/dia e de metformina 1.000 mg/dia, comparece a uma consulta de rotina trazendo exame de amostra isolada de urina com microalbuminúria e Holter 24 h com bradicardia sinusal, com frequência cardíaca mínima em vigília igual a 45 bpm, assintomático. No momento da consulta, sua frequência cardíaca é 50 bpm. O médico de família indica a troca do atenolol.Com base nesse caso hipotético, assinale a melhor opção de medicamento entre as alternativas apresentadas a seguir

Alternativas

  1. A) anlodipino
  2. B) espironolactona
  3. C) furosemida
  4. D) enalapril
  5. E) hidralazina

Pérola Clínica

Bradicardia + atenolol + microalbuminúria em diabético → trocar betabloqueador por IECA (enalapril) para proteção renal e controle pressórico.

Resumo-Chave

O paciente apresenta bradicardia sinusal, provavelmente exacerbada pelo atenolol (betabloqueador). Além disso, sendo diabético e hipertenso com microalbuminúria, um IECA (como o enalapril) é a classe de escolha para proteção renal e controle pressórico, sendo superior a outras opções que não oferecem o mesmo benefício renal ou podem ter efeitos adversos indesejados.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) e o diabetes mellitus (DM) são comorbidades frequentes e de grande impacto na saúde cardiovascular e renal. O manejo desses pacientes exige uma abordagem multifacetada, visando não apenas o controle pressórico e glicêmico, mas também a proteção de órgãos-alvo, como os rins. A microalbuminúria é um marcador precoce de nefropatia diabética e um preditor de risco cardiovascular. Nesse cenário, a escolha do anti-hipertensivo é crucial. Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECAs) e os bloqueadores dos receptores de angiotensina II (BRA-II) são as classes de primeira linha para pacientes diabéticos com hipertensão e microalbuminúria, devido à sua capacidade de reduzir a proteinúria e retardar a progressão da doença renal crônica. O atenolol, um betabloqueador, embora eficaz no controle pressórico, pode exacerbar a bradicardia e não oferece o mesmo benefício renal que os IECAs/BRA-II. A substituição do atenolol por um IECA, como o enalapril, neste paciente, aborda a bradicardia e oferece a proteção renal necessária, otimizando o tratamento. Outras opções como anlodipino (bloqueador de canal de cálcio), espironolactona (diurético poupador de potássio) ou furosemida (diurético de alça) não são as primeiras escolhas para proteção renal em diabéticos com microalbuminúria, e a hidralazina é um vasodilatador direto geralmente reservado para casos específicos ou como terapia de terceira linha.

Perguntas Frequentes

Por que o atenolol deve ser trocado neste paciente?

O atenolol é um betabloqueador que pode causar ou agravar a bradicardia. O paciente apresenta bradicardia sinusal com FC mínima de 45 bpm, tornando o atenolol inadequado, mesmo que assintomático.

Qual a importância do enalapril (IECA) para este paciente?

O enalapril, um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA), é a classe de escolha para pacientes diabéticos e hipertensos com microalbuminúria, pois oferece proteção renal comprovada, além de controlar a pressão arterial.

Quais são as contraindicações ou efeitos adversos comuns dos IECAs?

As principais contraindicações incluem gravidez, estenose bilateral da artéria renal e angioedema prévio. Efeitos adversos comuns são tosse seca, hipercalemia e hipotensão, que devem ser monitorados.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo