Hipertensão Crônica na Gravidez: Conduta no Pré-natal Final

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020

Enunciado

Paciente 3 gesta 1 para (cesárea) 1 aborto (espontâneo), 34 anos, com hipertensão arterial pré-gestacional, em uso de metildopa 1,5 mg/dia, é atendida em consulta de pré-natal com 38 semanas. Ao exame: pressão arterial = 130 x 90 mmHg; altura uterina = 30 cm; dinâmica uterina ausente; toque = colo grosso, posterior dilatado 2 cm, membranas íntegras, apresentação cefálica; amnioscopia = líquido claro com grumos grossos. Ausência de edemas. Prova de vitalidade fetal revela feto ativo com índice de líquido amniótico normal. Conduta:

Alternativas

  1. A) Solicitar ultrassonografia obstétrica.
  2. B) Aumentar metildopa para 2 g/dia.
  3. C) Solicitar proteinúria de 24 horas.
  4. D) Indicar cesárea.

Pérola Clínica

Gestante com HAS crônica em 38 semanas, PA 130x90, AU 30cm, colo 2cm, LA claro → USG para avaliar crescimento fetal e bem-estar.

Resumo-Chave

Em gestante com hipertensão crônica, mesmo com PA controlada e vitalidade fetal normal, a discrepância entre altura uterina (30cm) e idade gestacional (38 semanas) exige investigação com ultrassonografia para avaliar crescimento fetal e volume de líquido amniótico.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial crônica na gravidez classifica a gestação como de alto risco, exigindo acompanhamento pré-natal rigoroso devido ao maior risco de complicações maternas e fetais, como pré-eclâmpsia sobreposta, restrição de crescimento fetal (RCF), parto prematuro e descolamento prematuro de placenta. O manejo inclui controle pressórico adequado, geralmente com metildopa, e monitoramento contínuo do bem-estar materno e fetal. No terceiro trimestre, a avaliação do crescimento e vitalidade fetal torna-se ainda mais crítica. A altura uterina (AU) é um método de triagem para avaliar o crescimento fetal; uma AU de 30 cm em 38 semanas de gestação é significativamente abaixo do esperado, levantando forte suspeita de RCF ou oligodramnia, mesmo que outros parâmetros de vitalidade fetal (como feto ativo e índice de líquido amniótico normal na amnioscopia) pareçam adequados. A amnioscopia avalia apenas a coloração do líquido, não seu volume exato. Diante da discrepância entre a altura uterina e a idade gestacional em uma paciente de alto risco, a conduta mais apropriada é solicitar uma ultrassonografia obstétrica. Este exame permitirá uma avaliação detalhada da biometria fetal, estimativa de peso, volume de líquido amniótico (Índice de Líquido Amniótico ou maior bolsão), e avaliação do fluxo doppler, confirmando ou afastando a suspeita de RCF e avaliando o bem-estar fetal de forma mais precisa. Aumentar a dose de metildopa não seria a primeira conduta com PA controlada, e a proteinúria de 24 horas seria mais indicada se houvesse sinais de pré-eclâmpsia sobreposta. A indicação de cesárea sem uma avaliação mais aprofundada seria precipitada.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da altura uterina no pré-natal de gestantes com hipertensão crônica?

A altura uterina é um indicador do crescimento fetal. Em gestantes com hipertensão crônica, uma altura uterina abaixo do esperado para a idade gestacional (como 30 cm em 38 semanas) pode indicar restrição de crescimento fetal, exigindo investigação adicional.

Por que solicitar uma ultrassonografia obstétrica nessa paciente?

A ultrassonografia obstétrica é fundamental para avaliar o crescimento fetal (biometria), estimar o peso fetal, verificar o volume de líquido amniótico e a vitalidade fetal de forma mais detalhada, especialmente diante de uma altura uterina discrepante.

Quando a proteinúria de 24 horas seria indicada nesse cenário?

A proteinúria de 24 horas seria indicada se houvesse suspeita de pré-eclâmpsia sobreposta (piora da hipertensão, novos sintomas, ou alterações laboratoriais), o que não é o caso evidente aqui, com PA controlada e ausência de edemas.

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