HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Secundigesta, 30 anos, diagnóstico de hipertensão arterial crônica há 2 anos, em uso de enalapril. Comparece para primeira consulta de pré-natal, assintomática, tempo de amenorreia de 7 semanas e pressão arterial de 150x90 mmHg. Qual a melhor conduta para esse caso?
IECA/BRA são contraindicados na gestação; metildopa é a primeira escolha para HAS crônica na gravidez.
Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), como o enalapril, e Bloqueadores do Receptor de Angiotensina (BRA) são teratogênicos e contraindicados na gestação. A metildopa é o anti-hipertensivo de primeira linha para hipertensão crônica na gravidez.
A hipertensão arterial crônica na gravidez é definida como a presença de hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg) antes da gestação ou antes de 20 semanas de gestação, ou que persiste por mais de 12 semanas pós-parto. É uma condição que afeta cerca de 1 a 5% das gestações e está associada a um risco aumentado de complicações maternas e fetais, como pré-eclâmpsia, restrição de crescimento intrauterino e parto prematuro. O manejo da hipertensão na gestação exige a substituição de medicamentos teratogênicos. Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), como o enalapril, e Bloqueadores do Receptor de Angiotensina (BRA) são absolutamente contraindicados devido aos seus efeitos deletérios no desenvolvimento fetal, especialmente no sistema renal. A metildopa é o fármaco de primeira escolha, com um longo histórico de segurança e eficácia em gestantes. Outras opções seguras incluem labetalol e nifedipino. O objetivo do tratamento é manter a pressão arterial em níveis seguros (geralmente entre 120-150/80-100 mmHg) para minimizar os riscos maternos e fetais, sem comprometer a perfusão placentária. O acompanhamento pré-natal deve ser rigoroso, com monitoramento da pressão arterial, função renal e sinais de pré-eclâmpsia.
O enalapril, um inibidor da ECA, é contraindicado na gravidez devido ao seu potencial teratogênico, especialmente no segundo e terceiro trimestres, podendo causar malformações renais, oligodrâmnio e anomalias craniofaciais no feto.
A metildopa é considerada o anti-hipertensivo de primeira linha para o tratamento da hipertensão crônica na gestação, devido ao seu perfil de segurança bem estabelecido para a mãe e o feto.
A hipertensão não controlada na gravidez aumenta o risco de pré-eclâmpsia, restrição de crescimento intrauterino, descolamento prematuro de placenta, parto prematuro e mortalidade materna e perinatal.
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