USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Primigesta, 41 anos de idade, gestação após ciclo natural induzido. É hipertensa crônica em uso de metildopa 750 mg por dia. Teve data da última menstruação em 18/06/2023. Comparece em primeira consulta de pré-natal com os seguintes exames:Considerando os resultados fetais, qual seria a proposta para o controle ideal da pressão arterial ao longo da gravidez?
Hipertensão Crônica na Gestação → Alvo < 140/90 mmHg (normalização) reduz desfechos adversos.
A normalização da pressão arterial (alvo < 140/90 mmHg) em gestantes com hipertensão crônica reduz o risco de pré-eclâmpsia grave sem comprometer o crescimento fetal.
O manejo da hipertensão arterial crônica na gestação passou por mudanças significativas nos últimos anos. Historicamente, havia uma preocupação de que a redução da pressão arterial materna pudesse comprometer o fluxo sanguíneo uteroplacentário, levando à restrição de crescimento fetal. No entanto, o estudo CHAP trouxe evidências robustas de que o tratamento ativo para manter a PA < 140/90 mmHg é seguro e benéfico. A normalização da pressão arterial, preferencialmente iniciada no primeiro trimestre, é a estratégia ideal para mitigar riscos de pré-eclâmpsia sobreposta e outras complicações placentárias. O uso de anti-hipertensivos seguros, como a Metildopa, Nifedipino ou Hidralazina, deve ser ajustado para alcançar essas metas, garantindo uma vigilância rigorosa do bem-estar materno-fetal ao longo de toda a gravidez.
Com base em evidências recentes, como o estudo CHAP (Chronic Hypertension and Pregnancy), a meta recomendada é manter a pressão arterial abaixo de 140/90 mmHg. Anteriormente, recomendava-se iniciar tratamento apenas se a PA atingisse 160/105 mmHg, mas o controle mais rigoroso mostrou-se superior na redução de desfechos maternos e neonatais adversos.
Estudos clínicos randomizados de grande porte demonstraram que o tratamento para atingir uma PA < 140/90 mmHg não aumenta a incidência de recém-nascidos pequenos para a idade gestacional (PIG) em comparação com o manejo de hipertensão permissiva, desmistificando um antigo receio médico.
A normalização precoce da PA reduz significativamente a incidência de pré-eclâmpsia com características de gravidade, descolamento prematuro de placenta e necessidade de parto prematuro antes de 35 semanas, melhorando o prognóstico global da gestação.
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