MedEvo Simulado — Prova 2026
Sueli, 38 anos, G3P2 (partos vaginais a termo), comparece à primeira consulta de pré-natal com 10 semanas de gestação confirmada por ultrassonografia. É portadora de hipertensão arterial crônica há 6 anos, em uso regular de Losartana 50 mg ao dia. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, com pressão arterial de 154 x 98 mmHg (média de duas aferições após 15 minutos de repouso). Traz exames laboratoriais recentes com creatinina de 1,1 mg/dL e ausência de proteinúria em amostra isolada de urina. Diante do quadro clínico e da idade gestacional, qual é a conduta terapêutica mais adequada para esta paciente?
HAC na gestação → Trocar IECA/BRA por Metildopa + Iniciar AAS (150mg) e Cálcio (1,5g).
IECA e BRA são teratogênicos; o manejo da gestante hipertensa exige troca medicamentosa imediata e profilaxia rigorosa para pré-eclâmpsia sobreposta com AAS e Cálcio.
A Hipertensão Arterial Crônica (HAC) na gestação é definida como PA ≥ 140/90 mmHg antes de 20 semanas de gestação. O principal risco é a pré-eclâmpsia sobreposta, que ocorre em até 25% dessas gestantes. O tratamento visa manter a PA em níveis seguros utilizando drogas como Alfa-metildopa, Nifedipina ou Hidralazina. A prescrição de AAS e Cálcio é mandatória para redução de desfechos adversos materno-fetais, conforme diretrizes nacionais e internacionais.
Os IECA e BRA são contraindicados na gestação pois interferem no sistema renina-angiotensina-aldosterona fetal, essencial para o desenvolvimento renal. O uso está associado à fetopatia, que inclui disgenesia renal, anúria, oligodrâmnio severo, hipoplasia pulmonar e defeitos de ossificação do crânio. Se uma paciente engravida em uso dessas drogas, a substituição por anti-hipertensivos seguros (como Metildopa ou Nifedipina) deve ser imediata.
Para gestantes de alto risco, como as portadoras de hipertensão arterial crônica, recomenda-se o uso de Ácido Acetilsalicílico (AAS) na dose de 100 a 150 mg por dia. O início deve ocorrer preferencialmente entre a 12ª e 16ª semana de gestação e mantido até a 36ª semana. Essa medida visa melhorar a placentação e reduzir significativamente o risco de desenvolvimento de pré-eclâmpsia sobreposta.
A suplementação de cálcio (1,5 a 2,0 g/dia) é recomendada para gestantes com alto risco de pré-eclâmpsia, especialmente em populações com baixa ingestão dietética de cálcio. O cálcio auxilia na redução da pressão arterial e diminui a incidência de distúrbios hipertensivos. Em pacientes com hipertensão crônica, ele atua como uma medida adjuvante ao AAS na prevenção de complicações graves e pré-eclâmpsia sobreposta.
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