MedEvo Simulado — Prova 2026
Gestante de 29 anos, G2P1 (parto cesáreo pré-termo por pré-eclâmpsia com 33 semanas de gestação), comparece à primeira consulta de pré-natal com 11 semanas de idade gestacional confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre. É portadora de hipertensão arterial crônica diagnosticada há 3 anos, em uso regular de Losartana 50 mg ao dia. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, pressão arterial de 136 x 84 mmHg (medida após repouso, com técnica adequada) e Índice de Massa Corporal (IMC) de 31 kg/m². Nega outras comorbidades ou alergias. Diante do quadro clínico e dos antecedentes obstétricos da paciente, qual é a conduta inicial mais adequada?
Gestante com HAS Crônica → Trocar Losartana por Metildopa + Iniciar AAS e Cálcio (profilaxia PE).
IECA/BRA são teratogênicos (toxicidade renal fetal). Gestantes de alto risco para pré-eclâmpsia (HAS crônica, IMC > 30, PE anterior) devem receber AAS e Cálcio precocemente.
O manejo da hipertensão arterial crônica na gestação exige um equilíbrio entre o controle pressórico materno e a segurança fetal. A transição farmacológica para agentes como a Alfa-metildopa (agonista alfa-2 central) é o padrão-ouro devido ao seu perfil de segurança estabelecido. Além do controle tensional, a identificação de pacientes de alto risco para pré-eclâmpsia sobreposta é crucial. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve falha na placentação e disfunção endotelial sistêmica; o AAS atua na modulação de prostaglandinas (antiagregante), enquanto o cálcio reduz a reatividade vascular. A intervenção precoce é a estratégia mais eficaz para reduzir a morbimortalidade materno-fetal nessas pacientes.
A Losartana, um Bloqueador do Receptor de Angiotensina (BRA), assim como os Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), é contraindicada na gestação, especialmente no segundo e terceiro trimestres. Essas drogas interferem no sistema renina-angiotensina fetal, podendo causar disfunção renal fetal, oligodrâmnio, hipoplasia pulmonar, malformações craniofaciais e morte fetal. A substituição por drogas seguras como Alfa-metildopa, Nifedipina ou Hidralazina deve ser imediata ao diagnóstico da gravidez.
A profilaxia com Ácido Acetilsalicílico (AAS) e Cálcio é indicada para gestantes com alto risco de desenvolver pré-eclâmpsia. Os critérios incluem: história prévia de pré-eclâmpsia (especialmente se precoce ou com desfecho adverso), hipertensão arterial crônica, diabetes mellitus (tipo 1 ou 2), doença renal crônica, doenças autoimunes (como LES ou SAF) e gestação múltipla. Fatores de risco moderado, como obesidade (IMC > 30), nuliparidade e idade > 35 anos, também podem motivar a profilaxia se combinados.
O AAS deve ser prescrito na dose de 100 a 150 mg/dia, iniciado preferencialmente antes da 16ª semana de gestação (idealmente entre 12 e 16 semanas) e mantido até a 36ª semana. O Carbonato de Cálcio (1,5 a 2,0 g/dia) é recomendado especialmente para populações com baixa ingestão dietética de cálcio, devendo ser iniciado precocemente e mantido durante toda a gestação, pois reduz significativamente o risco de complicações hipertensivas.
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