HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Mulher de 34 anos de idade, primigesta, com idade gestacional de 32 semanas e história prévia de hipertensão arterial crônica, comparece a consulta de pré-natal. No momento está assintomática. Apresentou a monitorização residencial de pressão arterial solicitada na consulta anterior, que evidenciou pressões sistólicas variando entre 130 e 150mmHg e diastólicas entre 95 e 100mmHg. Está em uso de ácido acetilsalicílico 100mg (iniciado na 12ª semana de gestação), carbonato de cálcio (iniciado na 20ª semana de gestação) e alfa metildopa 750mg/dia. Previamente à gestação, tinha bom controle pressórico com uso de hidroclorotiazida 25mg/dia. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 160x100mmHg, sentada, e de 140x95mmHg, em decúbito lateral esquerdo. Tinha altura uterina de 28cm, dinâmica uterina ausente, batimento cardíaco fetal de 145bpm, com movimentação fetal ativa durante o exame. Apresentou a última ultrassonografia, realizada com idade gestacional de 31 semanas e 3 dias, que mostrou feto único, cefálico, com placenta anterior alta grau II e líquido amniótico normal. O peso fetal estava no percentil 10 e a dopplerfluxometria não tinha alterações. Neste momento, foi optado por aumento de dose da alfa metildopa para 1g/dia. Uma semana após a consulta anterior, a paciente retorna com bons controles pressóricos e exames laboratoriais solicitados dentro da normalidade. Ela o questiona sobre a programação de parto. Qual é a orientação que deve ser dada à paciente neste momento?
Hipertensão crônica controlada sem complicações → Parto idealmente com 37 semanas.
Em gestantes com hipertensão arterial crônica estável e bom controle pressórico, a recomendação é a interrupção da gestação no termo precoce (37 semanas) para mitigar riscos materno-fetais.
A hipertensão arterial crônica (HAC) atinge cerca de 1 a 5% das gestações. O manejo envolve o controle rigoroso da pressão arterial e a vigilância para o desenvolvimento de pré-eclâmpsia sobreposta, que ocorre em até 25% dessas pacientes. O uso de AAS e Cálcio é indicado para profilaxia de pré-eclâmpsia em pacientes de alto risco. No caso clínico, a paciente apresenta um feto no percentil 10, o que exige vigilância dopplerfluxométrica, mas, mantendo-se a estabilidade hemodinâmica e o bem-estar fetal, o parto no termo precoce é a conduta padrão ouro.
Para gestantes com hipertensão arterial crônica que apresentam bom controle pressórico e ausência de complicações (como pré-eclâmpsia sobreposta ou restrição de crescimento fetal grave), a recomendação atual é a resolução da gestação com 37 semanas (termo precoce). Isso visa equilibrar o risco de complicações placentárias e cardiovasculares maternas com os riscos da prematuridade fetal. Se houver descontrole pressórico grave ou complicações, a interrupção pode ser antecipada conforme o protocolo de pré-eclâmpsia.
O objetivo é manter a pressão arterial em níveis seguros, geralmente entre 130-150/80-100 mmHg. A alfa-metildopa é a droga de primeira escolha devido ao seu perfil de segurança. Outras opções incluem nifedipino e hidralazina. Inibidores da ECA e BRA são contraindicados na gestação devido à teratogenicidade e toxicidade renal fetal. O ajuste de dose deve ser frequente, especialmente no terceiro trimestre, quando a resistência vascular pode sofrer alterações.
A pré-eclâmpsia sobreposta é diagnosticada quando uma paciente com hipertensão crônica prévia apresenta surgimento de proteinúria após 20 semanas, ou um aumento súbito de uma proteinúria já existente, ou ainda o aparecimento de sinais de disfunção orgânica (plaquetopenia, elevação de transaminases, insuficiência renal, sintomas visuais ou neurológicos) ou descontrole pressórico grave de difícil manejo.
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