MedEvo Simulado — Prova 2026
Mariana, 32 anos, G2P1 (parto prematuro com 34 semanas devido a pré-eclâmpsia com sinais de gravidade na gestação anterior), comparece à primeira consulta de pré-natal com 10 semanas de idade gestacional confirmada por ultrassonografia precoce. Ela refere diagnóstico de hipertensão arterial crônica há 2 anos, estando em uso regular de losartana 50 mg/dia. Ao exame físico, apresenta-se assintomática, com pressão arterial de 148 x 96 mmHg, confirmada após 15 minutos de repouso. O restante do exame físico está normal e a vitalidade embrionária foi confirmada por sonar. Com base no quadro clínico e nas recomendações atuais para o manejo da hipertensão crônica na gestação, a conduta mais adequada é:
HAS Crônica na gestação → Suspender IECA/BRA + Iniciar Metildopa + AAS + Cálcio.
Gestantes com hipertensão crônica e alto risco de pré-eclâmpsia devem trocar IECA/BRA por fármacos seguros e iniciar profilaxia com AAS e cálcio.
O manejo da hipertensão arterial crônica (HAC) na gestação exige uma abordagem multifatorial. O primeiro passo é a adequação farmacológica, substituindo drogas do sistema renina-angiotensina-aldosterona por opções seguras como metildopa, nifedipino ou hidralazina. O controle pressórico visa evitar picos hipertensivos e complicações maternas, embora metas excessivamente baixas devam ser evitadas para não comprometer a perfusão placentária. A HAC é um dos principais fatores de risco para a pré-eclâmpsia sobreposta. Por isso, a introdução de medidas profiláticas é mandatória. O AAS atua na modulação da agregação plaquetária e inflamação endotelial, enquanto o cálcio reduz a excitabilidade neuromuscular e a resistência vascular. Ambas as intervenções possuem alto nível de evidência na redução de desfechos adversos perinatais em populações de risco.
A Losartana, assim como outros Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina (BRA) e Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), é contraindicada na gestação. Seu uso está associado à fetopatia, que inclui malformações renais, hipoplasia pulmonar, hipoplasia de calota craniana e oligodramnia, especialmente se utilizada no segundo e terceiro trimestres, além de riscos teratogênicos no primeiro trimestre.
O Ácido Acetilsalicílico (AAS) em doses de 100 a 150 mg/dia é indicado para gestantes com alto risco de pré-eclâmpsia (PE). Os critérios de alto risco incluem: PE em gestação anterior (especialmente se prematura), hipertensão crônica, diabetes mellitus tipo 1 ou 2, doença renal crônica e doenças autoimunes (como lúpus ou SAF). O início deve ocorrer preferencialmente antes da 16ª semana.
A suplementação de carbonato de cálcio (1,5 a 2,0 g de cálcio elementar por dia) é recomendada para gestantes com baixa ingestão dietética de cálcio, visando reduzir o risco de pré-eclâmpsia, especialmente naquelas que já possuem outros fatores de risco, como a hipertensão arterial crônica. No Brasil, essa recomendação é amplamente adotada devido à baixa ingestão média de cálcio na população.
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