HAS Crônica na Gestação: Conduta e Medicamentos Seguros

HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 32 anos de idade, primigesta, com diagnóstico de hipertensão arterial crônica há 3 anos, em uso de losartana. Comparece para a primeira consulta de pré-natal, sem queixas, com 8 semanas de gestação e PA de 145x85 mmHg. Qual a melhor conduta para esse caso?

Alternativas

  1. A) Suspender losartana e iniciar enalapril.
  2. B) Suspender losartana e introduzir metildopa.
  3. C) Internação e prescrição de sulfato de magnésio.
  4. D) Aumentar a dose de losartana e associar carbonato de cálcio.
  5. E) Manter losartana e reavaliar a pressão arterial em 72 horas.

Pérola Clínica

Losartana (ARA-II) é contraindicada na gestação; Metildopa é a primeira escolha para HAS crônica na gravidez.

Resumo-Chave

A losartana, um bloqueador do receptor de angiotensina II (ARA-II), é teratogênica e deve ser suspensa imediatamente ao se confirmar a gestação. A metildopa é o anti-hipertensivo de primeira linha mais seguro e eficaz para o controle da hipertensão arterial crônica durante a gravidez.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial crônica (HAC) é uma condição comum que afeta gestantes, definida como hipertensão presente antes da gravidez ou diagnosticada antes da 20ª semana de gestação. Seu manejo adequado é crucial para prevenir complicações maternas, como pré-eclâmpsia sobreposta, acidente vascular cerebral e insuficiência renal, e fetais, como restrição de crescimento intrauterino, prematuridade e óbito. A identificação precoce e a substituição de medicamentos contraindicados são passos fundamentais no pré-natal. A fisiopatologia da HAC na gestação envolve alterações hemodinâmicas e vasculares que podem ser exacerbadas pela gravidez. O diagnóstico é clínico, baseado em medições da pressão arterial. É essencial rastrear e suspender medicamentos teratogênicos, como os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e os bloqueadores do receptor de angiotensina II (ARA-II), que podem causar danos graves ao feto. A escolha do anti-hipertensivo deve priorizar a segurança fetal e a eficácia materna. O tratamento da HAC na gestação geralmente envolve a metildopa como primeira linha, seguida por labetalol ou nifedipino, se necessário. O objetivo é manter a pressão arterial em níveis seguros, geralmente abaixo de 140/90 mmHg, sem comprometer a perfusão uteroplacentária. O prognóstico é geralmente bom com manejo adequado, mas requer monitoramento rigoroso da mãe e do feto para detectar precocemente sinais de complicações e intervir quando necessário.

Perguntas Frequentes

Quais são os riscos da losartana na gravidez?

A losartana, um ARA-II, é teratogênica e pode causar malformações fetais graves, como anomalias renais, oligodrâmnio e restrição de crescimento intrauterino, especialmente no segundo e terceiro trimestres.

Qual o anti-hipertensivo de primeira escolha para gestantes com HAS crônica?

A metildopa é considerada o anti-hipertensivo de primeira escolha para o tratamento da hipertensão arterial crônica na gestação, devido ao seu perfil de segurança e eficácia bem estabelecidos.

Quando se deve iniciar o tratamento anti-hipertensivo na gestação?

O tratamento deve ser iniciado ou ajustado quando a pressão arterial estiver persistentemente acima de 140/90 mmHg, visando prevenir complicações maternas e fetais, como pré-eclâmpsia e restrição de crescimento.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo