Hipertensão na Gestação: Diagnóstico e Classificação Essencial

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2020

Enunciado

Gestante inicia seu pré-natal com 12 semanas datadas pela amenorreia, comprovada por ecografia de 10 semanas, sendo evidenciada PA de 150 x 95 mmHg, confirmada após repouso. Diante do caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Trata-se de provável pré-eclâmpsia precoce, devendo ser solicitada pesquisa de SAAF.
  2. B) Deve-se solicitar proteinúria de 24 horas para confirmar diagnóstico de pré-eclâmpsia.
  3. C) Trata-se de provável hipertensão arterial crônica, devendo-se realizar controle pressórico ambulatorial.
  4. D) Deve-se tratar de uma pré-eclâmpsia superajuntada a uma hipertensão arterial crônica.
  5. E) Trata-se de hipertensão gestacional, devendo-se solicitar rotina laboratorial para descartar pré-eclâmpsia.

Pérola Clínica

PA ≥ 140/90 mmHg antes de 20 semanas de gestação ou pré-gravidez = Hipertensão Arterial Crônica.

Resumo-Chave

A elevação da pressão arterial antes das 20 semanas de gestação, ou já presente antes da gravidez, caracteriza hipertensão arterial crônica. A pré-eclâmpsia, por definição, ocorre após 20 semanas e é acompanhada de proteinúria ou outros sinais de disfunção orgânica.

Contexto Educacional

As síndromes hipertensivas na gestação são uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, afetando cerca de 5-10% das gestações. A correta classificação e diagnóstico precoce são fundamentais para o manejo adequado e para a prevenção de complicações graves. As principais categorias incluem hipertensão arterial crônica, hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia e pré-eclâmpsia superajuntada à hipertensão crônica. A diferenciação entre essas condições baseia-se principalmente no momento do surgimento da hipertensão e na presença de proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo. Hipertensão arterial crônica é definida pela elevação da PA (≥ 140/90 mmHg) antes das 20 semanas de gestação ou pré-existente. A pré-eclâmpsia, por sua vez, manifesta-se após 20 semanas, acompanhada de proteinúria ou outros sinais de gravidade. A hipertensão gestacional é a elevação da PA após 20 semanas sem proteinúria ou disfunção orgânica. O manejo da hipertensão na gestação requer vigilância contínua da mãe e do feto. Para hipertensão crônica, o controle ambulatorial da pressão arterial é essencial, com uso de anti-hipertensivos seguros quando indicado. A identificação precoce de sinais de pré-eclâmpsia superajuntada é crucial, pois esta condição tem pior prognóstico. Residentes devem dominar esses conceitos para garantir a segurança e o melhor desfecho para mãe e bebê.

Perguntas Frequentes

Qual o critério temporal para diferenciar hipertensão arterial crônica de pré-eclâmpsia e hipertensão gestacional?

A hipertensão arterial crônica é diagnosticada quando a pressão arterial elevada (≥ 140/90 mmHg) é detectada antes das 20 semanas de gestação ou já estava presente antes da gravidez. A hipertensão gestacional e a pré-eclâmpsia, por definição, surgem após as 20 semanas de gestação.

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é diagnosticada por hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões com 4h de intervalo, ou ≥ 160/110 mmHg em uma ocasião) após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria (≥ 300 mg/24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3) ou, na ausência de proteinúria, a sinais de disfunção de órgão-alvo (plaquetopenia, insuficiência renal, disfunção hepática, edema pulmonar, sintomas cerebrais ou visuais).

Como é feito o manejo inicial da hipertensão arterial crônica na gestação?

O manejo inicial envolve monitoramento rigoroso da pressão arterial, aconselhamento sobre estilo de vida e, se necessário, introdução de medicação anti-hipertensiva segura na gravidez (ex: metildopa, nifedipino, labetalol). O objetivo é manter a PA controlada para minimizar riscos maternos e fetais, sem causar hipotensão que comprometa a perfusão placentária.

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