MedEvo Simulado — Prova 2026
Gabriela, 32 anos, G3P1A1, com idade gestacional de 11 semanas confirmada por ultrassonografia precoce, comparece à primeira consulta de pré-natal de alto risco. Ela é portadora de hipertensão arterial crônica há 5 anos, em uso regular de Losartana 50 mg/dia. Em sua gestação anterior, há três anos, apresentou pré-eclâmpsia com necessidade de interrupção do parto com 34 semanas. Ao exame físico atual, apresenta-se assintomática, com bom estado geral, índice de massa corporal de 28 kg/m² e pressão arterial de 154 x 96 mmHg (após dois períodos de repouso). O exame físico obstétrico está normal para a idade gestacional. Traz exames laboratoriais recentes com creatinina de 0,7 mg/dL, ácido úrico de 4,0 mg/dL e proteinúria de fita negativa. Diante do quadro clínico e do histórico da paciente, a conduta terapêutica imediata mais adequada é:
Trocar BRA/IECA por Metildopa + Iniciar AAS (150mg) e Cálcio (1,5g) para prevenir pré-eclâmpsia.
Gestantes com hipertensão crônica e história de pré-eclâmpsia precoce têm alto risco; exigem troca de anti-hipertensivos teratogênicos e profilaxia farmacológica agressiva.
O manejo da hipertensão arterial crônica (HAC) na gestação exige vigilância constante devido ao risco de pré-eclâmpsia sobreposta, que ocorre em até 25% dessas pacientes. A transição de fármacos para opções seguras (Metildopa, Nifedipino, Hidralazina) é a primeira etapa fundamental. A identificação de fatores de risco (HAC, história prévia de PE, obesidade) impõe o início precoce da profilaxia com AAS e cálcio. O objetivo é otimizar a placentação e reduzir a resposta inflamatória sistêmica, visando prolongar a gestação e minimizar complicações materno-fetais graves.
Os bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA), como a Losartana, e os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) são contraindicados na gestação. Eles estão associados à fetopatia por IECA/BRA, que inclui disgenesia renal, hipoplasia pulmonar, hipocalvária e oligodrâmnio grave, especialmente se usados no segundo e terceiro trimestres, mas a troca deve ser feita assim que a gravidez é confirmada.
Estudos recentes, como o ensaio ASPRE, demonstram que a dose de 150 mg/dia de Ácido Acetilsalicílico (AAS), administrada preferencialmente à noite, é mais eficaz que doses menores (como 60 ou 100 mg) na redução do risco de pré-eclâmpsia pré-termo em pacientes de alto risco. Deve ser iniciada entre 12 e 16 semanas e mantida até 36 semanas.
A suplementação de cálcio (1,5 a 2,0 g/dia) é recomendada para gestantes com baixa ingestão dietética de cálcio e que apresentam risco aumentado para pré-eclâmpsia. Ela atua reduzindo a reatividade vascular e a liberação de paratormônio, auxiliando no controle pressórico e na prevenção de eventos hipertensivos graves.
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