UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Mulher, 72a, procura atendimento médico referindo dispneia aos grandes esforços habituais. Exame físico: PA= 168x82 mmHg, FC= 88 bpm. ECG: ritmo sinusal e alterações inespecíficas da repolarização ventricular. Ecocardiograma transtorácico: aumento discreto de átrio esquerdo, ventrículo esquerdo com diâmetros normais e espessuras do septo intraventricular e parede posterior de VE aumentadas. Fração de ejeção (Simpson)= 71%. Relaxamento diastólico anormal grau I. A ESTRATÉGIA TERAPÊUTICA ANTIHIPERTENSIVA PREFERENCIAL NESTE CASO É:
HAS + Hipertrofia VE + Disfunção Diastólica → IECA/BRA + Diurético Tiazídico.
Em pacientes idosos com hipertensão, hipertrofia ventricular esquerda e disfunção diastólica, a combinação de IECA ou BRA com diurético tiazídico é a estratégia preferencial. Essa abordagem visa controlar a pressão arterial, promover a regressão da hipertrofia e melhorar o relaxamento diastólico, sendo fundamental para o manejo da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição crônica comum em idosos, frequentemente associada a alterações estruturais cardíacas como a hipertrofia ventricular esquerda (HVE) e a disfunção diastólica. A HVE é um preditor independente de eventos cardiovasculares, e a disfunção diastólica é a base fisiopatológica da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEP), uma síndrome prevalente nessa faixa etária. O reconhecimento dessas comorbidades é crucial para a escolha da terapia anti-hipertensiva mais adequada, visando não apenas o controle pressórico, mas também a melhora da função cardíaca e do prognóstico. A estratégia terapêutica anti-hipertensiva em pacientes com HAS, HVE e disfunção diastólica deve focar em medicamentos que promovam a regressão da hipertrofia e melhorem o relaxamento ventricular. Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) são as classes de primeira linha, pois atuam no sistema renina-angiotensina-aldosterona, que desempenha um papel central na remodelação cardíaca. A adição de um diurético tiazídico é benéfica para otimizar o controle pressórico e gerenciar o volume, sendo uma combinação eficaz e bem estabelecida para essa população. O manejo da HAS em idosos com HVE e disfunção diastólica vai além do controle numérico da pressão arterial. É fundamental considerar a melhora dos sintomas, a prevenção de eventos cardiovasculares e a qualidade de vida. A escolha da terapia deve ser individualizada, levando em conta comorbidades e tolerância aos medicamentos. A monitorização regular da pressão arterial e da função cardíaca por ecocardiograma é essencial para ajustar o tratamento e avaliar a resposta terapêutica, garantindo um manejo abrangente e eficaz.
Os sinais incluem aumento do átrio esquerdo, hipertrofia ventricular esquerda e alterações nos padrões de fluxo mitral, como o relaxamento diastólico anormal grau I, que indica um comprometimento inicial do enchimento ventricular.
IECA/BRA promovem regressão da hipertrofia ventricular esquerda e melhoram a função diastólica, além de controlar a pressão. Diuréticos tiazídicos auxiliam no controle volêmico e potencializam o efeito anti-hipertensivo, sendo eficazes e bem tolerados em idosos.
Ambas são marcadores de risco cardiovascular aumentado, associadas a maior incidência de eventos como insuficiência cardíaca (especialmente HFpEF), arritmias e mortalidade. O tratamento adequado visa mitigar esses riscos.
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