Hipertensão e Gravidez na Adolescência: Conduta Clínica

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Adolescente de 16 anos procura o ambulatório com queixa de dor abdominal difusa e vômitos há dois dias, sem outros sinais e sintomas. A menstruação é irregular. Ela informa ter um namorado, vida sexual ativa e que faz uso irregular de camisinha. É filha mais velha de três irmãos. Está fora da escola e ajuda sua mãe cuidando da casa e dos irmãos. Ao exame físico, verificam-se IMC = 36, PA = 145x90 mmHg e abdômen levemente doloroso difusamente. Além de prescrever antiemético e analgésico e orientar quanto à alimentação, a conduta indicada nesse caso é:

Alternativas

  1. A) Solicitar beta-HCG e fazer propranolol sublingual e orientação alimentar.
  2. B) Solicitar lipidograma, encaminhar ao serviço social e prescrever anti-hipertensivo.
  3. C) Solicitar beta-HCG, orientação alimentar e verificar a PA em mais duas ocasiões.
  4. D) Orientar a prática de atividade física, encaminhar ao serviço social e prescrever antihipertensivo.

Pérola Clínica

PA elevada em adolescente → Reavaliar em 3 ocasiões antes de diagnosticar HAS.

Resumo-Chave

Em adolescentes sexualmente ativos com sintomas inespecíficos, a gravidez deve ser excluída. A hipertensão requer confirmação em múltiplas consultas antes do início de fármacos, priorizando mudanças no estilo de vida.

Contexto Educacional

O atendimento ao adolescente exige uma visão holística que contemple tanto aspectos biológicos quanto psicossociais. A obesidade (IMC > 95º percentil) é um fator de risco crescente para hipertensão arterial sistêmica (HAS) primária nesta faixa etária. No entanto, a abordagem inicial deve ser cautelosa para evitar a rotulagem precoce e a medicalização desnecessária. Além disso, a queixa de dor abdominal em adolescentes do sexo feminino com vida sexual ativa impõe a necessidade ética e clínica de investigar gestação, respeitando a autonomia e o sigilo médico. O manejo da PA elevada deve seguir o protocolo de múltiplas aferições, garantindo que o manguito utilizado seja adequado à circunferência do braço, fator frequentemente negligenciado em pacientes obesos.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de hipertensão arterial em adolescentes?

O diagnóstico de hipertensão arterial em adolescentes (≥ 13 anos) segue critérios similares aos adultos, mas para menores de 13 anos, utiliza-se tabelas de percentis baseadas em idade, sexo e altura. Em ambos os casos, uma única medida elevada não confirma o diagnóstico; são necessárias medidas alteradas em pelo menos três ocasiões diferentes para estabelecer o diagnóstico de HAS crônica.

Por que solicitar Beta-HCG em adolescentes com dor abdominal?

A gravidez deve ser sempre considerada como diagnóstico diferencial em adolescentes com vida sexual ativa que apresentam dor abdominal, vômitos ou irregularidade menstrual. Mesmo que a queixa principal pareça relacionada a outras causas, a exclusão de gestação é fundamental para o manejo seguro e para evitar o uso de medicamentos teratogênicos.

Qual a conduta inicial para obesidade e PA elevada no adolescente?

A conduta inicial foca em mudanças no estilo de vida (MEV), incluindo orientação alimentar e estímulo à atividade física. O tratamento farmacológico para hipertensão é reservado para casos de HAS estágio 2, lesão de órgão-alvo, diabetes ou falha nas MEV após 6 meses de acompanhamento.

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