MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 56 anos, hipertenso há 12 anos, comparece à consulta de rotina em uma unidade de saúde. Ele faz uso regular de hidroclorotiazida 25 mg ao dia, com boa adesão relatada. O paciente apresenta-se com queixa de dores recorrentes e súbitas em hálux direito, tendo apresentado dois episódios de artrite aguda inflamatória nos últimos seis meses, com diagnóstico clínico de gota. Ao exame físico, encontra-se obeso (IMC de 32 kg/m²), com pressão arterial de 156 x 98 mmHg (média de três medidas realizadas conforme a técnica correta). Nota-se, ainda, a presença de edema maleolar bilateral (2+/4+) e hiperpigmentação ocre em terço distal de ambas as pernas, compatível com insuficiência venosa crônica de longa data. Seus exames laboratoriais recentes revelam os seguintes valores: creatinina 1,0 mg/dL; potássio 4,2 mEq/L; ácido úrico 9,4 mg/dL (valor de referência até 7,0 mg/dL); glicemia de jejum 114 mg/dL. Diante do quadro clínico e laboratorial apresentado, qual a conduta mais adequada para o manejo da hipertensão arterial deste paciente?
Hipertensão + Gota → Evitar Tiazídicos (↑ Ácido Úrico); Losartana é a escolha (Efeito Uricosúrico).
Diuréticos tiazídicos competem com o ácido úrico pela secreção tubular, elevando a uricemia. A losartana, além de anti-hipertensiva, possui efeito uricosúrico único, sendo ideal para pacientes gotosos.
O manejo da hipertensão arterial em pacientes com comorbidades exige a seleção criteriosa de fármacos que não piorem a condição secundária. No caso da gota, a hiperuricemia é frequentemente agravada por diuréticos (tiazídicos e de alça) e betabloqueadores, que reduzem a excreção renal de urato. A obesidade e a síndrome metabólica frequentemente coexistem com a gota, aumentando o risco cardiovascular global. A substituição da hidroclorotiazida pela losartana aborda tanto o controle pressórico quanto a redução dos níveis de ácido úrico, otimizando o tratamento. Além disso, a losartana tem um perfil metabólico favorável em pacientes com pré-diabetes ou resistência insulínica, comum em pacientes obesos com gota.
Os diuréticos tiazídicos, como a hidroclorotiazida, aumentam a reabsorção de ácido úrico no túbulo proximal e competem com sua secreção tubular ativa. Isso resulta em hiperuricemia, que é o principal fator de risco para a precipitação de cristais de urato monossódico nas articulações, desencadeando as crises de gota. Em pacientes com diagnóstico de gota ou hiperuricemia importante, o uso de tiazídicos deve ser evitado ou substituído.
A losartana é única entre os bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRAs) por possuir um efeito uricosúrico clinicamente relevante. Ela inibe o transportador URAT1 no túbulo renal, aumentando a excreção urinária de ácido úrico e auxiliando na redução dos níveis séricos. Isso a torna a droga de escolha para o tratamento da hipertensão em pacientes que também sofrem de gota, ajudando no controle de ambas as condições simultaneamente.
O alopurinol é indicado para a terapia de redução de urato a longo prazo em pacientes com dois ou mais episódios de artrite gotosa por ano, presença de tofos, nefrolitíase ou doença renal crônica. É crucial não iniciar o alopurinol durante uma crise aguda de gota, pois a mudança brusca nos níveis de ácido úrico pode exacerbar a inflamação. O início deve ocorrer após a resolução da crise, sob cobertura de anti-inflamatórios ou colchicina.
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