UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021
Paciente, 50 anos, sexo feminino, hipertensa mal controlada, portadora de insuficiência cardíaca com baixa fração de ejeção e fibrilação atrial. No manejo desta, fora iniciada amiodarona. Após o começo da medicação, a paciente apresentou quadro de tireotoxicose e retornou para reavaliação. Sobre a complicação ocorrida, é correto afirmar que é justificada
Amiodarona → alta carga de iodo → pode causar tireotoxicose via efeito Jod-Basedow.
A amiodarona, um antiarrítmico amplamente utilizado, contém uma alta concentração de iodo, que pode induzir disfunção tireoidiana. O efeito Jod-Basedow ocorre quando o excesso de iodo leva à superprodução de hormônios tireoidianos em indivíduos com tireoide previamente alterada ou autônoma.
A amiodarona é um potente antiarrítmico de classe III, amplamente empregado no tratamento de arritmias atriais e ventriculares, como a fibrilação atrial em pacientes com insuficiência cardíaca. Sua estrutura química é rica em iodo (contém 37% de iodo em peso), liberando cerca de 6 mg de iodo inorgânico por dia, o que a torna uma das principais causas de disfunção tireoidiana induzida por drogas. A fisiopatologia da tireotoxicose induzida por amiodarona (TIA) é complexa e pode se manifestar de duas formas principais. O TIA tipo 1, ou fenômeno de Jod-Basedow, ocorre em pacientes com tireoide previamente alterada (ex: bócio multinodular, doença de Graves latente) onde o excesso de iodo serve como substrato para uma síntese excessiva de hormônios tireoidianos. Já o TIA tipo 2 é uma tireoidite destrutiva, causada pelo efeito tóxico direto da amiodarona nas células foliculares da tireoide, levando à liberação de hormônios pré-formados. O diagnóstico diferencial entre os tipos é crucial para o tratamento, que pode envolver tionamidas e perclorato de potássio para o tipo 1, e corticosteroides para o tipo 2. A suspensão da amiodarona é desejável, mas nem sempre viável devido à gravidade da arritmia subjacente. Residentes devem estar atentos à monitorização da função tireoidiana em pacientes em uso de amiodarona e saber diferenciar os tipos de TIA para um manejo adequado.
Existem dois tipos principais: TIA tipo 1, que é um hipertireoidismo induzido por iodo (efeito Jod-Basedow) em tireoides pré-dispostas; e TIA tipo 2, que é uma tireoidite destrutiva.
A amiodarona libera grandes quantidades de iodo, que podem tanto inibir a síntese hormonal (efeito Wolff-Chaikoff, geralmente transitório) quanto estimular a superprodução em tireoides com nódulos autônomos ou doença de Graves latente (efeito Jod-Basedow).
A conduta depende do tipo de TIA. Para TIA tipo 1 (Jod-Basedow), usam-se tionamidas (metimazol, propiltiouracil) e perclorato de potássio. Para TIA tipo 2 (tireoidite), corticosteroides são a primeira linha. A suspensão da amiodarona deve ser considerada, mas nem sempre é possível devido à condição cardíaca.
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