PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024
Paciente M.C.L., 62 anos, com quadro lento de mudança de comportamento (ficou mais agressiva e muito irritada), aparecimento de pêlos terminais em face, tórax, mento e dorso (Índice de Ferriman & Gallwey = 14) e o achado relevante do exame ginecológico, está apresentado na Figural. Optou-se por efetuar histerectomia total com anexectomia bilateral (HTA-SOB) e o achado macroscópico é o que está na Figura 2.Qual é o provável diagnóstico desta condição mórbida?
Hipertecose ovariana → virilização progressiva em mulheres pós-menopausa, com ovários aumentados e estroma hiperplásico.
A hipertecose ovariana é uma condição caracterizada pela proliferação de células tecais no estroma ovariano, resultando em produção excessiva de androgênios. Manifesta-se clinicamente por virilização de início lento e progressivo, hirsutismo e, frequentemente, ovários aumentados, sendo mais comum em mulheres pós-menopausa.
A hipertecose ovariana é uma condição endócrina rara, mas importante, caracterizada pela proliferação de células tecais luteinizadas no estroma ovariano, resultando em produção excessiva de androgênios. Diferentemente da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), onde há hiperplasia das células tecais foliculares, na hipertecose as células tecais se desenvolvem independentemente dos folículos, infiltrando o estroma ovariano. É mais comum em mulheres pós-menopausa, embora possa ocorrer em qualquer idade, e é uma causa significativa de hiperandrogenismo e virilização. Clinicamente, a hipertecose se manifesta por sinais de virilização de início lento e progressivo, como hirsutismo (avaliado pelo Índice de Ferriman & Gallwey), acne, alopecia androgênica, clitoromegalia e voz grave. As pacientes podem apresentar também resistência à insulina e acantose nigricans. O diagnóstico é suspeitado pela clínica e por níveis séricos de testosterona total e livre significativamente elevados, frequentemente acima dos valores encontrados na SOP. A ultrassonografia pode revelar ovários aumentados com estroma denso e hiperplásico, sem os múltiplos cistos foliculares típicos da SOP. Em alguns casos, a diferenciação de tumores ovarianos produtores de androgênios pode ser desafiadora. O tratamento da hipertecose ovariana é predominantemente cirúrgico, com a ooforectomia bilateral sendo a abordagem definitiva para remover a fonte de androgênios e resolver os sintomas de virilização. Em mulheres que já não desejam gestar ou que estão na pós-menopausa, a histerectomia total com anexectomia bilateral (HTA-SOB) é frequentemente realizada. É crucial para residentes reconhecer essa condição, diferenciá-la de outras causas de hiperandrogenismo e entender a importância da intervenção cirúrgica para o manejo dos sintomas e prevenção de complicações metabólicas a longo prazo.
A hipertecose ovariana manifesta-se por sinais de hiperandrogenismo e virilização, como hirsutismo de início lento e progressivo, acne, alopecia androgênica, clitoromegalia, voz grave e, em casos mais avançados, aumento da massa muscular e mudança de comportamento (agressividade, irritabilidade).
O diagnóstico é sugerido pela clínica de virilização e níveis elevados de testosterona (geralmente > 150-200 ng/dL), que podem ser mais altos do que na SOP. A ultrassonografia pode mostrar ovários aumentados com estroma hiperplásico e, em alguns casos, a confirmação definitiva é histopatológica após ooforectomia, revelando ninhos de células tecais luteinizadas no estroma.
O tratamento definitivo para a hipertecose ovariana é cirúrgico, geralmente ooforectomia bilateral, pois a fonte primária de androgênios são os ovários. Em casos de virilização grave ou quando há suspeita de malignidade, a histerectomia total com anexectomia bilateral é a conduta preferencial.
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