IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025
Em relação aos mecanismos moleculares envolvidos na resposta imune Tipo II: Reação Citotóxica (IgG/IgM-Mediada), qual das seguintes afirmações é correta?
IgG/IgM + Antígeno celular + Complemento/Fagocitose = Hipersensibilidade Tipo II.
A reação tipo II envolve anticorpos contra antígenos em superfícies celulares. A destruição ocorre por ativação do complemento ou fagocitose otimizada pela cooperação entre receptores Fc e de complemento.
A hipersensibilidade do tipo II é fundamental para entender doenças como anemia hemolítica autoimune, eritroblastose fetal e febre reumática. Diferente do tipo III (complexos imunes circulantes), no tipo II o antígeno é um componente intrínseco da célula ou matriz. A compreensão da interação entre a imunidade humoral (anticorpos) e os mecanismos efetores celulares (fagócitos, NK) e humorais (complemento) é essencial para o manejo terapêutico, que muitas vezes envolve imunossupressão ou plasmaférese.
A superaditividade fagocítica refere-se ao fenômeno onde a eficiência da fagocitose é drasticamente aumentada pela sinalização combinada de diferentes receptores na superfície de fagócitos (como macrófagos e neutrófilos). Na hipersensibilidade tipo II, a célula-alvo é opsonizada tanto por anticorpos (IgG) quanto por fragmentos do sistema complemento (como C3b). A ligação simultânea da IgG aos receptores Fc (FcγR) e do C3b aos receptores de complemento (CR1, CR3) gera uma cascata de sinalização intracelular sinérgica, resultando em uma ingestão e destruição da célula-alvo muito mais rápida do que se apenas um tipo de receptor fosse ativado.
No mecanismo tipo II, o sistema complemento é ativado principalmente pela via clássica após a ligação de anticorpos IgM ou IgG1/IgG3 a antígenos na superfície celular. Essa ativação leva à formação da C3 convertase, resultando na deposição de opsoninas (C3b) na célula. A cascata pode progredir até a formação do complexo de ataque à membrana (MAC), que insere poros na bicamada lipídica, causando lise osmótica. Além disso, subprodutos como C3a e C5a (anafilatoxinas) recrutam células inflamatórias, exacerbando o dano tecidual local através da liberação de enzimas lisossomais e espécies reativas de oxigênio.
As células NK (Natural Killer) participam através da Citotoxicidade Celular Dependente de Anticorpos (ADCC). Elas expressam o receptor FcγRIIIa (CD16), que possui alta afinidade por células revestidas com anticorpos IgG (especialmente IgG1 e IgG3). Quando o receptor CD16 se liga à porção Fc do anticorpo fixado na célula-alvo, a célula NK é ativada para liberar grânulos contendo perforinas e granzimas. As perforinas criam canais na membrana, enquanto as granzimas penetram na célula e ativam a cascata das caspases, induzindo a apoptose da célula-alvo sem a necessidade de ativação do sistema complemento.
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