Mecanismos da Hipersensibilidade Tipo II (Citotóxica)

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025

Enunciado

Em relação aos mecanismos moleculares envolvidos na resposta imune Tipo II: Reação Citotóxica (IgG/IgM-Mediada), qual das seguintes afirmações é correta?

Alternativas

  1. A) O sistema complemento, ativado pela via clássica através da ligação de IgG ou IgM a antígenos de superfície celular, forma o complexo de ataque à membrana (MAC) exclusivamente nas célulasalvo, sem afetar células circundantes.
  2. B) A fagocitose mediada por receptores Fc (FcγR) em neutrófilos e macrófagos é potencializada pela sinalização simultânea via receptores de complemento CR1 e CR3, resultando em um fenômeno conhecido como superaditividade fagocítica.
  3. C) Anticorpos IgG2 são os mais eficientes na indução de citotoxicidade celular dependente de anticorpo (ADCC) mediada por células NK, devido à sua alta afinidade pelo receptor FcγRIIIa (CD16a).
  4. D) A opsonização de eritrócitos por anticorpos IgG em doenças autoimunes como a anemia hemolítica autoimune leva à sua destruição predominantemente extravascular, mediada por macrófagos esplênicos expressando o receptor de baixa afinidade FcγRIIb.
  5. E) O bloqueio farmacológico seletivo do receptor FcRn (receptor neonatal Fc) aumenta a meia-vida sérica de anticorpos IgG patogênicos, exacerbando reações citotóxicas mediadas por IgG em doenças autoimunes.

Pérola Clínica

IgG/IgM + Antígeno celular + Complemento/Fagocitose = Hipersensibilidade Tipo II.

Resumo-Chave

A reação tipo II envolve anticorpos contra antígenos em superfícies celulares. A destruição ocorre por ativação do complemento ou fagocitose otimizada pela cooperação entre receptores Fc e de complemento.

Contexto Educacional

A hipersensibilidade do tipo II é fundamental para entender doenças como anemia hemolítica autoimune, eritroblastose fetal e febre reumática. Diferente do tipo III (complexos imunes circulantes), no tipo II o antígeno é um componente intrínseco da célula ou matriz. A compreensão da interação entre a imunidade humoral (anticorpos) e os mecanismos efetores celulares (fagócitos, NK) e humorais (complemento) é essencial para o manejo terapêutico, que muitas vezes envolve imunossupressão ou plasmaférese.

Perguntas Frequentes

O que é a superaditividade fagocítica na reação tipo II?

A superaditividade fagocítica refere-se ao fenômeno onde a eficiência da fagocitose é drasticamente aumentada pela sinalização combinada de diferentes receptores na superfície de fagócitos (como macrófagos e neutrófilos). Na hipersensibilidade tipo II, a célula-alvo é opsonizada tanto por anticorpos (IgG) quanto por fragmentos do sistema complemento (como C3b). A ligação simultânea da IgG aos receptores Fc (FcγR) e do C3b aos receptores de complemento (CR1, CR3) gera uma cascata de sinalização intracelular sinérgica, resultando em uma ingestão e destruição da célula-alvo muito mais rápida do que se apenas um tipo de receptor fosse ativado.

Como o sistema complemento atua na hipersensibilidade citotóxica?

No mecanismo tipo II, o sistema complemento é ativado principalmente pela via clássica após a ligação de anticorpos IgM ou IgG1/IgG3 a antígenos na superfície celular. Essa ativação leva à formação da C3 convertase, resultando na deposição de opsoninas (C3b) na célula. A cascata pode progredir até a formação do complexo de ataque à membrana (MAC), que insere poros na bicamada lipídica, causando lise osmótica. Além disso, subprodutos como C3a e C5a (anafilatoxinas) recrutam células inflamatórias, exacerbando o dano tecidual local através da liberação de enzimas lisossomais e espécies reativas de oxigênio.

Qual o papel das células NK na hipersensibilidade tipo II?

As células NK (Natural Killer) participam através da Citotoxicidade Celular Dependente de Anticorpos (ADCC). Elas expressam o receptor FcγRIIIa (CD16), que possui alta afinidade por células revestidas com anticorpos IgG (especialmente IgG1 e IgG3). Quando o receptor CD16 se liga à porção Fc do anticorpo fixado na célula-alvo, a célula NK é ativada para liberar grânulos contendo perforinas e granzimas. As perforinas criam canais na membrana, enquanto as granzimas penetram na célula e ativam a cascata das caspases, induzindo a apoptose da célula-alvo sem a necessidade de ativação do sistema complemento.

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