SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2022
Menino, 2 anos de idade, acordou com exantema maculopapular em membros inferiores, afebril e em bom estado geral, queixando-se de prurido discreto. Foi medicado com anti-histamínico, com melhora do prurido e manutenção das lesões que apareceram em tronco, membros e face. Nos 2 dias seguintes, as lesões acentuaram-se, sem novos sintomas. A família está apreensiva, a mãe teme edema de glote. De acordo com a fisiopatologia das reações alérgicas, é correto afirmar em relação à evolução que
Exantema maculopapular com prurido discreto e evolução lenta, sem sintomas sistêmicos graves → hipersensibilidade tardia (tipo IV), resolução espontânea.
O quadro clínico descrito, com exantema maculopapular, prurido discreto e ausência de sintomas sistêmicos graves ou progressão respiratória, sugere uma reação de hipersensibilidade tardia (Tipo IV). Essas reações são mediadas por células T e geralmente têm uma evolução mais arrastada e benigna, com resolução espontânea, diferentemente das reações mediadas por IgE, que são agudas e podem ser graves.
As reações de hipersensibilidade são respostas imunes exageradas a antígenos inofensivos, classificadas em quatro tipos principais por Gell e Coombs. A compreensão da fisiopatologia é crucial para o diagnóstico e manejo adequados, especialmente em pediatria, onde a apresentação pode ser atípica. A hipersensibilidade tardia (Tipo IV) é mediada por células T e se manifesta geralmente 24 a 72 horas após a exposição ao antígeno, com lesões cutâneas como exantema maculopapular, vesículas ou bolhas, e prurido. Diferentemente das reações imediatas mediadas por IgE (Tipo I), que podem ser potencialmente fatais devido ao risco de anafilaxia e edema de glote, as reações Tipo IV têm uma evolução mais arrastada e geralmente benigna. Embora eosinófilos possam ser encontrados em infiltrados inflamatórios de reações tardias, os linfócitos T são os principais efetores. A ausência de sintomas sistêmicos graves, como broncoespasmo, hipotensão ou angioedema de vias aéreas superiores, é um indicativo de que o quadro não é uma anafilaxia. O manejo de reações de hipersensibilidade tardia é geralmente sintomático, focando no alívio do prurido com anti-histamínicos e, em casos mais intensos, corticosteroides tópicos. A educação dos pais sobre a natureza benigna e a resolução espontânea do quadro é fundamental para reduzir a ansiedade. É importante ressaltar que a dosagem de IgE para antígenos alimentares não é um método diagnóstico para reações tardias, e o teste de provocação oral é reservado para casos específicos de alergia alimentar mediada por IgE.
Reações mediadas por IgE (Tipo I) são agudas, ocorrem minutos a poucas horas após a exposição, com urticária, angioedema, broncoespasmo e risco de anafilaxia. Reações tardias (Tipo IV) são mediadas por células T, surgem 24-72 horas após a exposição, com exantema maculopapular, vesículas e prurido, e geralmente não evoluem para quadros respiratórios graves.
As reações de hipersensibilidade tardia (Tipo IV) são mediadas principalmente por linfócitos T sensibilizados, que liberam citocinas e quimiocinas, atraindo e ativando outras células inflamatórias, como macrófagos e, em alguns casos, eosinófilos.
Se o quadro for leve, sem sinais de gravidade ou progressão sistêmica, a conduta é sintomática com anti-histamínicos para o prurido. É importante tranquilizar a família, explicando que a maioria dessas reações tem resolução espontânea e não evolui para quadros respiratórios graves.
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