UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021
Homem, 54a, procura alergista com histórico de urticária e angioedema há oito anos. Relata episódios recorrentes de início súbito, poucos minutos após o uso de algumas medicações como dipirona, diclofenaco, ibuprofeno, que usa para lombalgia crônica.A CONDUTA É:
Hipersensibilidade a AINEs não seletivos → testar inibidores COX-2 sob supervisão.
Pacientes com urticária e angioedema induzidos por AINEs não seletivos podem tolerar inibidores seletivos da COX-2, pois o mecanismo de reação geralmente envolve a inibição da COX-1. Um teste de provocação oral é necessário para confirmar a tolerância.
A hipersensibilidade a anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) é uma condição comum, manifestando-se frequentemente como urticária e angioedema, mas também pode causar broncoespasmo ou anafilaxia. Diferente de outras alergias a medicamentos, a maioria das reações a AINEs não é mediada por IgE, mas sim por mecanismos farmacológicos que envolvem a inibição da ciclo-oxigenase 1 (COX-1). Essa inibição leva a um desvio do metabolismo do ácido araquidônico, resultando em aumento da produção de leucotrienos e liberação de histamina, que desencadeiam os sintomas. A história clínica detalhada é crucial para identificar os AINEs desencadeantes e o padrão da reação. Pacientes que reagem a múltiplos AINEs não seletivos (como dipirona, diclofenaco, ibuprofeno) geralmente têm uma hipersensibilidade cruzada devido à inibição da COX-1. Nesses casos, a dosagem de IgE específica para AINEs não é útil, pois a reação não é IgE-mediada. A conduta para esses pacientes envolve a identificação de alternativas seguras. Os inibidores seletivos da ciclo-oxigenase 2 (COX-2), como celecoxibe ou etoricoxibe, são frequentemente bem tolerados, pois sua ação poupa a COX-1. No entanto, a tolerância deve ser confirmada por um teste de provocação oral, realizado em ambiente hospitalar sob supervisão médica, para garantir a segurança do paciente. O paracetamol é outra alternativa, mas em alguns casos, especialmente em pacientes com asma induzida por AINEs, pode haver reações cruzadas.
A maioria das reações de hipersensibilidade a AINEs é não-alérgica, mediada pela inibição da ciclo-oxigenase 1 (COX-1), que leva a um desequilíbrio na via do ácido araquidônico, com aumento de leucotrienos e histamina.
Sim, muitos pacientes que reagem a AINEs não seletivos podem tolerar inibidores seletivos da COX-2 (coxibes), pois estes poupam a COX-1. A tolerância deve ser confirmada por teste de provocação oral.
O paracetamol é geralmente bem tolerado por pacientes com hipersensibilidade a AINEs, mas reações cruzadas podem ocorrer em uma pequena porcentagem de casos, especialmente em pacientes com asma induzida por AINEs.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo