HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024
Mulher de 45 anos, em tratamento para depressão. Apresenta galactorreia há 3 meses. Apresenta prolactina de 80 ng/ml (normal ≤ 25 ng/ml). Já realizou ressonância da sela túrcica, sem alterações. A melhor explicação para este achado de hiperprolactinemia é:
Hiperprolactinemia + galactorreia + uso de antidepressivos/antipsicóticos + RM sela túrcica normal → Causa medicamentosa.
A hiperprolactinemia medicamentosa é uma causa comum de elevação da prolactina e galactorreia, especialmente em pacientes em uso de fármacos que afetam a dopamina (como antipsicóticos e alguns antidepressivos). A ausência de alterações na ressonância magnética da sela túrcica, em um contexto de uso de medicação psicotrópica, reforça essa hipótese diagnóstica.
A hiperprolactinemia, definida como níveis séricos elevados de prolactina, é uma condição endócrina relativamente comum que pode se manifestar com galactorreia, distúrbios menstruais, infertilidade e disfunção sexual. O diagnóstico diferencial é amplo e inclui causas fisiológicas (gravidez, amamentação, estresse), patológicas (prolactinomas, hipotireoidismo, insuficiência renal) e, de forma muito relevante, causas medicamentosas. A causa medicamentosa é uma das mais frequentes de hiperprolactinemia, especialmente em pacientes em uso de fármacos que interferem na via dopaminérgica, principal inibidor da secreção de prolactina. Antipsicóticos (típicos e atípicos), alguns antidepressivos (como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina - ISRS), antieméticos (metoclopramida) e anti-hipertensivos (verapamil) são exemplos. Nesses casos, os níveis de prolactina geralmente são moderadamente elevados (< 100-150 ng/mL) e a ressonância magnética da sela túrcica é normal, o que ajuda a diferenciá-la de prolactinomas. O manejo da hiperprolactinemia medicamentosa envolve a identificação e, se possível, a modificação do agente causal, seja pela redução da dose, substituição por uma alternativa com menor impacto na prolactina ou suspensão, sempre avaliando o risco-benefício e em colaboração com o especialista que prescreveu a medicação. O tratamento com agonistas dopaminérgicos pode ser considerado se a modificação da medicação não for viável e os sintomas forem muito incômodos.
Diversos medicamentos podem elevar a prolactina, principalmente aqueles que bloqueiam os receptores de dopamina ou depletam a dopamina, como antipsicóticos (fenotiazinas, risperidona), alguns antidepressivos (ISRS, tricíclicos), metoclopramida, verapamil e opióides.
A hiperprolactinemia medicamentosa geralmente apresenta níveis de prolactina < 100-150 ng/mL e uma ressonância magnética da sela túrcica normal ou com alterações mínimas. Prolactinomas, especialmente macroadenomas, tendem a ter níveis de prolactina muito mais elevados (> 200 ng/mL) e são visíveis na RM.
A conduta inicial envolve revisar a medicação do paciente. Se possível, deve-se tentar a redução da dose, substituição por um fármaco com menor potencial de elevar a prolactina, ou suspensão, sempre em conjunto com o médico prescritor e monitorando os níveis de prolactina e sintomas.
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