HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Mulher de 27 anos de idade comparece em consulta por amenorreia há 4 meses. Relata que sua menstruação era regular e trouxe um teste de gravidez negativo, realizado há uma semana. Queixa-se também de descarga mamária bilateral, simétrica, com aspecto de leite. Ela não tem sobrepeso e nega alterações menstruais anteriores. Faz tratamento para dislipidemia e depressão com sinvastatina 20mg/dia, fluoxetina 40mg/dia e risperidona 2mg/dia. Usa anticoncepcional oral combinado como método contraceptivo. Qual é a conduta a seguir para essa paciente?
Amenorreia + galactorreia + risperidona → Hiperprolactinemia medicamentosa.
A risperidona é um antipsicótico que frequentemente causa hiperprolactinemia, levando a amenorreia e galactorreia. A dosagem de prolactina sérica é o primeiro passo para confirmar a suspeita.
A amenorreia e a galactorreia são sintomas que, quando associados, frequentemente apontam para um distúrbio na regulação da prolactina. A hiperprolactinemia pode ser causada por diversas condições, incluindo adenomas hipofisários, hipotireoidismo e, de forma muito relevante na prática clínica, o uso de certos medicamentos. É fundamental para o residente reconhecer os fármacos que podem induzir essa condição, pois a interrupção ou substituição da medicação pode resolver o quadro. No caso apresentado, a paciente utiliza risperidona, um antipsicótico atípico conhecido por seu potencial de causar hiperprolactinemia. A risperidona atua bloqueando os receptores de dopamina D2, o que leva a uma desinibição da secreção de prolactina pela hipófise. Outras medicações como fluoxetina (um ISRS) e sinvastatina (uma estatina) têm um risco muito menor ou insignificante de causar hiperprolactinemia clinicamente relevante em comparação com a risperidona. A dosagem de prolactina sérica é o exame inicial para confirmar a suspeita. A conduta adequada envolve a dosagem da prolactina sérica. Se elevada, e na presença de um medicamento conhecido por causar hiperprolactinemia como a risperidona, a causa medicamentosa é a principal suspeita. Antes de considerar exames de imagem como a ressonância magnética de sela túrcica para investigar adenoma hipofisário, é crucial excluir as causas mais comuns, como a medicamentosa e o hipotireoidismo (que também pode elevar a prolactina). O tratamento, se possível, envolve a redução da dose ou a troca da medicação causadora, sempre em conjunto com o médico prescritor.
Antipsicóticos (especialmente risperidona), antidepressivos (alguns tricíclicos, ISRS), antieméticos (metoclopramida) e alguns anti-hipertensivos podem elevar a prolactina, sendo a risperidona um dos mais comuns.
O primeiro passo é solicitar a dosagem de prolactina sérica para confirmar a hiperprolactinemia, além de excluir gravidez e hipotireoidismo como causas.
Um adenoma deve ser considerado se a prolactina estiver muito elevada (geralmente >200 ng/mL) ou se houver sintomas neurológicos, após excluir causas medicamentosas e hipotireoidismo.
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