UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024
Paciente de 33 anos de idade, tercigesta com 3 cesarianas anteriores, apresenta queixa de ausência de menstruação por 7 meses. Seu ciclo sempre foi regular anteriormente, mas nos últimos 6 meses tem apresentado descarga papilar láctea. Nega demais sintomas. Fez laqueadura tubária na última cesariana, faz uso de risperidona e losartana, iniciados há seis meses. Beta HCG negativo, funções ovariana e tireoidiana normais e exame transvaginal normal. Diante do exposto o provável mecanismo para as queixas da paciente é:
Risperidona → antagonismo D2 → ↑ prolactina → amenorreia + galactorreia.
A Risperidona, um antipsicótico, bloqueia os receptores D2 de dopamina na via tuberoinfundibular, levando ao aumento da secreção de prolactina, o que causa amenorreia e galactorreia como efeitos adversos comuns.
A hiperprolactinemia medicamentosa é uma causa comum de amenorreia e galactorreia, frequentemente subdiagnosticada. Antipsicóticos, como a Risperidona, são notórios por esse efeito adverso, impactando a qualidade de vida e a adesão ao tratamento psiquiátrico. É crucial que médicos de diversas especialidades reconheçam essa associação. A fisiopatologia envolve o antagonismo dos receptores D2 de dopamina na via tuberoinfundibular hipotalâmica. A dopamina é o principal inibidor da secreção de prolactina pela hipófise. Ao bloquear esses receptores, a Risperidona remove essa inibição, resultando em níveis elevados de prolactina. O diagnóstico é feito pela dosagem de prolactina sérica e pela correlação com o uso da medicação. O manejo da hiperprolactinemia induzida por medicamentos geralmente envolve a redução da dose do fármaco, a troca por um antipsicótico com menor potencial hiperprolactinêmico (ex: aripiprazol, quetiapina) ou, em casos selecionados, a adição de um agonista dopaminérgico. É fundamental discutir os riscos e benefícios com o paciente e a equipe de saúde mental.
A Risperidona é um antipsicótico que age bloqueando os receptores D2 de dopamina. A dopamina inibe a secreção de prolactina na via tuberoinfundibular; ao ser bloqueada, a prolactina aumenta, resultando em hiperprolactinemia.
Os sintomas mais comuns incluem amenorreia (ausência de menstruação), galactorreia (descarga papilar láctea), infertilidade, diminuição da libido e, em homens, disfunção erétil e ginecomastia. A intensidade varia conforme o nível de prolactina.
Além dos antipsicóticos (como Risperidona, Haloperidol), outros medicamentos incluem antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), metoclopramida e alguns anti-hipertensivos, como o verapamil.
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