Risperidona e Hiperprolactinemia: Entenda a Relação

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 33 anos de idade, tercigesta com 3 cesarianas anteriores, apresenta queixa de ausência de menstruação por 7 meses. Seu ciclo sempre foi regular anteriormente, mas nos últimos 6 meses tem apresentado descarga papilar láctea. Nega demais sintomas. Fez laqueadura tubária na última cesariana, faz uso de risperidona e losartana, iniciados há seis meses. Beta HCG negativo, funções ovariana e tireoidiana normais e exame transvaginal normal. Diante do exposto o provável mecanismo para as queixas da paciente é:

Alternativas

  1. A) falência gonadal ocasionada pela laqueadura tubária.
  2. B) hiperprolactinemia causada pela Losartana, devido à elevação do neuropeptídeo Y.
  3. C) falência ovariana precoce em paciente jovem.
  4. D) antagonismo dos receptores D2 tuberoinfundibular hipotalâmico promovido pela Risperidona.
  5. E) nos casos em que não se estabelece um motivo, como no caso acima, é classificada como idiopática.

Pérola Clínica

Risperidona → antagonismo D2 → ↑ prolactina → amenorreia + galactorreia.

Resumo-Chave

A Risperidona, um antipsicótico, bloqueia os receptores D2 de dopamina na via tuberoinfundibular, levando ao aumento da secreção de prolactina, o que causa amenorreia e galactorreia como efeitos adversos comuns.

Contexto Educacional

A hiperprolactinemia medicamentosa é uma causa comum de amenorreia e galactorreia, frequentemente subdiagnosticada. Antipsicóticos, como a Risperidona, são notórios por esse efeito adverso, impactando a qualidade de vida e a adesão ao tratamento psiquiátrico. É crucial que médicos de diversas especialidades reconheçam essa associação. A fisiopatologia envolve o antagonismo dos receptores D2 de dopamina na via tuberoinfundibular hipotalâmica. A dopamina é o principal inibidor da secreção de prolactina pela hipófise. Ao bloquear esses receptores, a Risperidona remove essa inibição, resultando em níveis elevados de prolactina. O diagnóstico é feito pela dosagem de prolactina sérica e pela correlação com o uso da medicação. O manejo da hiperprolactinemia induzida por medicamentos geralmente envolve a redução da dose do fármaco, a troca por um antipsicótico com menor potencial hiperprolactinêmico (ex: aripiprazol, quetiapina) ou, em casos selecionados, a adição de um agonista dopaminérgico. É fundamental discutir os riscos e benefícios com o paciente e a equipe de saúde mental.

Perguntas Frequentes

Como a Risperidona causa hiperprolactinemia?

A Risperidona é um antipsicótico que age bloqueando os receptores D2 de dopamina. A dopamina inibe a secreção de prolactina na via tuberoinfundibular; ao ser bloqueada, a prolactina aumenta, resultando em hiperprolactinemia.

Quais são os sintomas da hiperprolactinemia induzida por medicamentos?

Os sintomas mais comuns incluem amenorreia (ausência de menstruação), galactorreia (descarga papilar láctea), infertilidade, diminuição da libido e, em homens, disfunção erétil e ginecomastia. A intensidade varia conforme o nível de prolactina.

Quais outros medicamentos podem causar hiperprolactinemia?

Além dos antipsicóticos (como Risperidona, Haloperidol), outros medicamentos incluem antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), metoclopramida e alguns anti-hipertensivos, como o verapamil.

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