PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024
Mulher, 20 anos, refere amenorreia há 3 meses e galactorreia bilateral há um mês. Anteriormente, tinha ciclos menstruais regulares (27/27 dias), nega uso de anticoncepcionais. Usa regularmente risperidona desde os 16 anos de idade. Traz dosagem de Prolactina recente = 85 ng/mL (VR: 5-25). Apresenta pequena secreção esbranquiçada à expressão em ambas as mamas. Sua orientação será
Amenorreia + galactorreia + hiperprolactinemia em uso de risperidona → Descartar gravidez e reavaliar medicação antes de RMN.
Em pacientes com hiperprolactinemia e uso de medicamentos conhecidos por elevá-la (como a risperidona), a primeira conduta é afastar gravidez e, se possível, ajustar ou suspender a medicação sob supervisão médica. A investigação de prolactinoma só deve ser feita após a exclusão de causas secundárias, incluindo a medicamentosa.
A hiperprolactinemia é uma condição endócrina comum, caracterizada por níveis elevados de prolactina no sangue, que pode se manifestar com amenorreia, galactorreia, infertilidade e disfunção sexual. É crucial para o residente de medicina entender a etiologia e o manejo adequado, pois afeta uma parcela significativa da população, especialmente mulheres em idade reprodutiva. A identificação precoce e a abordagem correta evitam investigações desnecessárias e melhoram a qualidade de vida do paciente. A fisiopatologia da hiperprolactinemia envolve a perda da inibição dopaminérgica sobre a secreção de prolactina pela hipófise. Medicamentos como antipsicóticos (ex: risperidona), alguns antidepressivos e anti-hipertensivos são causas frequentes. O diagnóstico diferencial é vasto e inclui gravidez, hipotireoidismo, estresse e tumores hipofisários (prolactinomas). A suspeita clínica surge com a tríade de amenorreia, galactorreia e disfunção sexual, exigindo dosagem sérica de prolactina, beta-hCG e TSH. O tratamento depende da causa. Em casos de hiperprolactinemia induzida por medicamentos, a suspensão ou substituição do fármaco, se clinicamente viável, é a primeira linha. Para prolactinomas, agonistas dopaminérgicos (cabergolina, bromocriptina) são a terapia de escolha. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas o acompanhamento regular é essencial para monitorar os níveis de prolactina e a resolução dos sintomas, evitando complicações a longo prazo.
As principais causas incluem gravidez, amamentação, hipotireoidismo primário, uso de medicamentos (antipsicóticos, antidepressivos, anti-hipertensivos), prolactinomas (tumores hipofisários) e outras condições como estresse e insuficiência renal crônica.
A risperidona é um antipsicótico que bloqueia os receptores de dopamina D2 na hipófise. A dopamina é um inibidor tônico da secreção de prolactina, então seu bloqueio leva ao aumento dos níveis séricos de prolactina, resultando em sintomas como amenorreia e galactorreia.
A conduta inicial deve incluir a exclusão de gravidez (beta-hCG), revisão da história medicamentosa para identificar fármacos que elevam a prolactina e avaliação da função tireoidiana (TSH). Somente após excluir essas causas secundárias, deve-se considerar a investigação de prolactinoma com RMN de hipófise.
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