Hiperprolactinemia por Metoclopramida: Diagnóstico e Conduta

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma paciente de 32 anos, nuligesta, procura atendimento ginecológico com queixa de ausência de menstruação há 5 meses. Refere que, associado à amenorreia, notou a saída espontânea de secreção esbranquiçada por ambas as mamas. Nega cefaleia ou alterações visuais. Como antecedente relevante, relata diagnóstico de refluxo gastroesofágico e dispepsia, tendo iniciado o uso contínuo de metoclopramida há cerca de 6 meses por conta própria. Ao exame físico, apresenta mamas sem nódulos, com saída de secreção láctea à expressão multiductal bilateral. O restante do exame ginecológico é normal. Traz os seguintes exames laboratoriais realizados recentemente: | Exame | Resultado | Valor de Referência | | :--- | :--- | :--- | | Beta-HCG sérico | Negativo | Negativo | | Prolactina | 82 ng/mL | 3,0 a 25,0 ng/mL | | TSH | 2,2 mIU/L | 0,4 a 4,5 mIU/L | | Creatinina | 0,8 mg/dL | 0,6 a 1,1 mg/dL | Com base no quadro clínico e nos exames laboratoriais, a causa mais provável para a amenorreia desta paciente é:

Alternativas

  1. A) Microadenoma hipofisário (Prolactinoma)
  2. B) Hipotireoidismo primário subclínico
  3. C) Hiperprolactinemia induzida por fármacos
  4. D) Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

Pérola Clínica

Metoclopramida → Antagonismo dopaminérgico → ↑ Prolactina → Galactorreia + Amenorreia.

Resumo-Chave

Fármacos que bloqueiam receptores D2 (como metoclopramida) removem a inibição tônica da dopamina sobre os lactotrofos, elevando a prolactina (geralmente < 100 ng/mL).

Contexto Educacional

A hiperprolactinemia é uma causa comum de amenorreia secundária e galactorreia. O raciocínio clínico deve sempre excluir causas fisiológicas (gravidez), sistêmicas (hipotireoidismo primário, insuficiência renal) e farmacológicas antes de prosseguir para a investigação de tumores hipofisários. A metoclopramida é um agente procinético amplamente utilizado, mas seu perfil de efeitos colaterais endócrinos é frequentemente negligenciado. Nesta paciente, a normalidade do TSH e da creatinina, associada ao Beta-HCG negativo e ao uso crônico de metoclopramida, aponta diretamente para a etiologia medicamentosa. A prolactina de 82 ng/mL é compatível com esse diagnóstico, não sendo necessária a realização imediata de Ressonância Magnética, a menos que os níveis permanecessem elevados após a suspensão da droga.

Perguntas Frequentes

Como a metoclopramida causa hiperprolactinemia?

A metoclopramida atua como um antagonista dos receptores dopaminérgicos D2. Como a dopamina é o principal fator inibidor da secreção de prolactina pela hipófise anterior, o bloqueio desses receptores resulta na perda dessa inibição tônica, levando ao aumento da síntese e secreção de prolactina pelos lactotrofos, o que pode causar galactorreia e distúrbios menstruais.

Quais níveis de prolactina sugerem causa farmacológica?

Níveis de prolactina induzidos por fármacos geralmente situam-se entre 25 e 100 ng/mL. Valores acima de 200-250 ng/mL são fortemente sugestivos de macroprolactinomas. No entanto, alguns antipsicóticos potentes (como a risperidona) podem elevar a prolactina a níveis superiores a 200 ng/mL, mimetizando um adenoma hipofisário.

Qual a conduta inicial na suspeita de hiperprolactinemia medicamentosa?

A conduta inicial consiste na suspensão do fármaco suspeito por pelo menos 3 dias, seguida de nova dosagem de prolactina, se clinicamente seguro. Caso o medicamento não possa ser suspenso (como em transtornos psiquiátricos graves), deve-se considerar a troca por uma alternativa que não afete a prolactina ou realizar exames de imagem (RM de sela túrcica) para excluir causas orgânicas.

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