Amenorreia e Galactorreia: Causa Medicamentosa por Risperidona

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 35 anos, G2P2 (cesarianas), procurou o ambulatório de ginecologia por apresentar ausência de menstruação por seis meses. Informa que seu ciclo sempre foi regular e que, no mesmo período, começou a apresentar saída de secreção láctea pelas papilas mamárias. Sem demais sintomas. Usa como contracepção a laqueadura tubária. Faz uso de Risperidona como antipsicótico e Losartana, iniciados há seis meses. Beta HCG negativo e exame ecográfico transvaginal normal. Considerando o cenário acima, qual o provável mecanismo fisiopatológico para esta amenorreia secundária?

Alternativas

  1. A) A laqueadura tubária diminui a perfusão sanguínea ovariana, podendo levar à falência gonadal.
  2. B) Após 35 anos de idade, ocorre naturalmente uma falência ovariana temporária com diminuição de função gonadal.
  3. C) A secreção láctea pode ser consequente à elevação do neuropeptídeo Y subsequente à estimulação da Losartana.
  4. D) Ocorre antagonismo dos receptores D2 no sistema tuberoinfundibular hipotalâmico promovido pela Risperidona.
  5. E) Nos casos em que não se estabelece um motivo evidente, como no caso acima, é classificada como idiopática.

Pérola Clínica

Risperidona → antagonismo D2 → ↑ prolactina → galactorreia + amenorreia secundária.

Resumo-Chave

A Risperidona, um antipsicótico, pode causar hiperprolactinemia ao antagonizar os receptores de dopamina D2 no sistema tuberoinfundibular. O aumento da prolactina inibe a secreção de GnRH, levando à supressão da função gonadal, manifestada como amenorreia e galactorreia.

Contexto Educacional

A amenorreia secundária é a ausência de menstruação por um período de três ciclos ou seis meses em mulheres que já menstruavam regularmente. A galactorreia é a secreção de leite pelas mamas fora do período de lactação. Ambas podem ser manifestações de hiperprolactinemia, uma condição em que os níveis de prolactina no sangue estão elevados. A hiperprolactinemia tem diversas causas, sendo uma das mais importantes a induzida por medicamentos, especialmente antipsicóticos, devido ao seu impacto na prática clínica e na qualidade de vida das pacientes. A fisiopatologia da hiperprolactinemia medicamentosa envolve o antagonismo dos receptores de dopamina D2 no sistema tuberoinfundibular hipotalâmico. A dopamina é o principal inibidor da secreção de prolactina. Quando seus receptores são bloqueados por fármacos como a Risperidona, a inibição é removida, resultando em aumento da prolactina. A prolactina elevada, por sua vez, suprime a pulsatilidade do GnRH, levando à diminuição de LH e FSH, anovulação e, consequentemente, amenorreia. O diagnóstico é feito pela história clínica, exame físico, dosagem de beta HCG (para excluir gravidez) e níveis séricos de prolactina. O tratamento da hiperprolactinemia medicamentosa geralmente envolve a revisão da farmacoterapia. Se possível, o medicamento causador deve ser descontinuado, ter sua dose reduzida ou ser substituído por um agente com menor potencial de elevar a prolactina, sempre sob orientação médica. Em casos onde a troca não é viável, pode-se considerar o uso de agonistas dopaminérgicos, como a cabergolina ou bromocriptina, para normalizar os níveis de prolactina e restaurar a função menstrual, embora isso deva ser avaliado cuidadosamente devido a possíveis interações e efeitos colaterais.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos podem causar hiperprolactinemia e amenorreia?

Além da Risperidona, outros antipsicóticos (especialmente de primeira geração e alguns de segunda), antidepressivos tricíclicos, inibidores da recaptação de serotonina, metoclopramida e verapamil podem elevar a prolactina e causar amenorreia.

Como a hiperprolactinemia leva à amenorreia?

A prolactina elevada inibe a secreção pulsátil do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) pelo hipotálamo. Isso, por sua vez, diminui a liberação de LH e FSH pela hipófise, resultando em hipogonadismo e anovulação, que se manifesta como amenorreia.

Qual a conduta inicial diante de suspeita de hiperprolactinemia medicamentosa?

A conduta inicial inclui a dosagem de prolactina sérica e, se elevada, a revisão da medicação em uso. Se possível, deve-se considerar a redução da dose ou a troca do medicamento por um que tenha menor impacto na prolactina, sempre em conjunto com o médico prescritor.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo