UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023
M.B, sexo feminino, 27 anos de idade, procura atenção especializada com queixa de ausência de menstruação há 7 meses, saída de fluxo papilar leitoso bilateralmente, diminuição da libido e acne. Método contraceptivo de escolha é o coito interrompido realizado de forma irregular, sem associar método de barreira durante as relações sexuais. Exames complementares: Prolactina 119 ng/mL (2.80 – 29.20); ultrassonografia transvaginal evidencia útero retrovertido de tamanho e forma normais, anexos sem alterações e ausência de imagem intrauterina sugestiva de gestação. Uma vez que a paciente refere não ter comorbidades, não faz uso de medicações de uso contínuo e tem desejo de engravidar nos próximos meses. A melhor conduta para elucidação diagnóstica do caso é:
Hiperprolactinemia: sempre descartar gestação e hipotireoidismo antes de investigar prolactinoma com RM de sela túrcica.
A investigação de hiperprolactinemia deve iniciar com exclusão de gestação (BHCG) e hipotireoidismo (TSH), pois ambas são causas comuns e tratáveis. Se esses forem negativos e a prolactina persistir elevada, a ressonância magnética da sela túrcica é indicada para investigar adenomas hipofisários.
A hiperprolactinemia é uma condição endócrina comum, caracterizada por níveis elevados de prolactina no sangue, que pode se manifestar com amenorreia, galactorreia, diminuição da libido e infertilidade. Sua prevalência é maior em mulheres em idade reprodutiva. O diagnóstico e manejo corretos são cruciais para restaurar a função reprodutiva e aliviar os sintomas, além de identificar condições subjacentes graves. A investigação diagnóstica deve ser sistemática, iniciando pela exclusão de causas fisiológicas como gravidez (BHCG) e amamentação. Em seguida, é fundamental descartar o hipotireoidismo primário através da dosagem de TSH, pois o aumento do TRH pode estimular a secreção de prolactina. O uso de medicamentos (antipsicóticos, antidepressivos, anti-hipertensivos) também deve ser cuidadosamente revisado. Se essas causas forem excluídas e a hiperprolactinemia persistir, a dosagem de macroprolactina pode ser útil para identificar formas inativas da prolactina. A ressonância magnética da sela túrcica é o próximo passo para investigar a presença de adenomas hipofisários (prolactinomas), especialmente se os níveis de prolactina forem muito elevados (>100-200 ng/mL) ou se houver sintomas neurológicos. O tratamento varia conforme a causa, podendo incluir suspensão de medicamentos, reposição hormonal para hipotireoidismo ou, no caso de prolactinomas, agonistas dopaminérgicos (cabergolina, bromocriptina) como primeira linha, com cirurgia reservada para casos refratários ou com compressão de quiasma óptico.
As principais causas incluem gravidez, hipotireoidismo primário, uso de medicamentos (antipsicóticos, antidepressivos), estresse, e adenomas hipofisários (prolactinomas).
A RM de sela túrcica é indicada quando a hiperprolactinemia é persistente e não há causas fisiológicas (gravidez) ou secundárias (hipotireoidismo, medicamentos) que a justifiquem, para investigar prolactinomas.
O hipotireoidismo primário pode causar hiperprolactinemia devido ao aumento do TRH, que estimula a secreção de prolactina. É crucial descartar essa causa antes de prosseguir com outras investigações.
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