USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Mulher, 38 anos de idade, refere que não voltou a apresentar ciclos menstruais após seis meses do término da amamentação do seu segundo filho. Queixa-se também de cefaleia leve, esporádica. Faz uso de sertralina, omeprazol e anlodipino. Ao exame clínico, apresentou galactorreia à expressão mamária bilateral. Na consulta, apresenta um exame de sangue com dosagem de prolactina sérica de 48 ng/mL (VR: 4,2 a 24,2 ng/mL). O próximo passo mais adequado é:
Prolactina < 100 ng/mL + uso de psicotrópicos → Suspender droga e reavaliar antes de RM.
Elevações leves de prolactina (geralmente < 100 ng/mL) associadas ao uso de fármacos como a sertralina devem ser investigadas inicialmente pela suspensão da medicação suspeita.
A hiperprolactinemia é uma causa frequente de amenorreia secundária e galactorreia. Antes de investigar causas hipofisárias com exames de imagem caros, é imperativo excluir causas fisiológicas (gravidez, amamentação), sistêmicas (hipotireoidismo primário, insuficiência renal) e farmacológicas. No caso clínico apresentado, a paciente usa sertralina e apresenta prolactina de 48 ng/mL. Como o valor é baixo e há uma droga suspeita, a conduta de 'washout' é a mais custo-efetiva e clinicamente indicada. A cefaleia leve e esporádica não é um sinal de alarme forte o suficiente para indicar RM imediata sem antes excluir a causa medicamentosa.
A sertralina, um Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina (ISRS), pode elevar os níveis de prolactina através da modulação serotoninérgica que inibe indiretamente a via dopaminérgica tuberoinfundibular. Como a dopamina é o principal fator inibidor da secreção de prolactina, sua redução leva ao aumento do hormônio, embora geralmente em níveis modestos (abaixo de 100 ng/mL).
Deve-se suspeitar de causa medicamentosa quando os níveis de prolactina estão entre 25 e 100 ng/mL em pacientes que utilizam neurolépticos, antidepressivos, procinéticos (metoclopramida) ou anti-hipertensivos (verapamil). Níveis acima de 250 ng/mL são altamente sugestivos de macroprolactinomas.
A recomendação clássica é suspender a medicação suspeita por 3 dias e repetir a dosagem de prolactina. Se os níveis normalizarem, confirma-se a etiologia medicamentosa. No caso da sertralina, devido à meia-vida longa, a reavaliação pode ser feita em prazos maiores, mas a conduta inicial de suspensão (se clinicamente seguro) precede exames de imagem.
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