Investigação de Galactorreia e Irregularidade Menstrual

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Uma mulher de 27 anos de idade apresenta ciclos menstruais irregulares, variando entre 15 e 60 dias, com duração do sangramento variável de 2 a 10 dias. Relata que já sofreu dois abortamentos espontâneos sucessivos antes de 12 semanas de gestação, sendo o último há um ano. Refere, também, ganho de peso progressivo desde que se casou. Ao exame físico, constatouse IMC = 32,1 kg/m² e presença de galactorreia à expressão mamária. Para elucidação diagnóstica, que exame complementar deveria ser solicitado?

Alternativas

  1. A) Dosagem de FSH e LH.
  2. B) Dosagem de TSH e prolactina.
  3. C) Dosagem de estradiol e progesterona.
  4. D) Dosagem de androstenediona e testosterona livre.

Pérola Clínica

Galactorreia + Irregularidade menstrual → Dosar sempre TSH e Prolactina para excluir causas sistêmicas.

Resumo-Chave

O hipotireoidismo primário eleva o TRH, que estimula os lactotrofos a secretarem prolactina, resultando em galactorreia e disfunção ovulatória.

Contexto Educacional

Este caso clínico aborda a intersecção entre endocrinologia e ginecologia. A obesidade (IMC 32,1) e a irregularidade menstrual poderiam sugerir Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), porém a presença de galactorreia é um sinal patognomônico que direciona a investigação para o eixo prolactina-tireoide. A propedêutica inicial de qualquer distúrbio menstrual deve obrigatoriamente incluir o TSH e a Prolactina, além do Beta-HCG, para evitar diagnósticos errôneos e tratamentos desnecessários.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre hipotireoidismo e hiperprolactinemia?

No hipotireoidismo primário, a redução dos hormônios tireoidianos (T3 e T4) leva a um aumento compensatório do TRH (hormônio liberador de tireotrofina) pelo hipotálamo. O TRH, além de estimular os tireotrofos, possui um efeito estimulador direto sobre os lactotrofos na hipófise anterior, resultando em hiperprolactinemia secundária. Esta, por sua vez, interfere na secreção pulsátil de GnRH, causando irregularidade menstrual e galactorreia.

Por que a paciente apresenta abortamentos de repetição?

A hiperprolactinemia causa uma fase lútea inadequada devido à supressão das gonadotrofinas (LH e FSH), o que prejudica a manutenção inicial da gestação. Além disso, o hipotireoidismo não controlado está independentemente associado a um maior risco de perda gestacional precoce e infertilidade por anovulação crônica.

Quando suspeitar de prolactinoma em vez de causa funcional?

Níveis de prolactina discretamente elevados (geralmente < 100 ng/mL) sugerem causas funcionais, uso de medicamentos ou hipotireoidismo. Valores acima de 200 ng/mL aumentam significativamente a suspeita de macroprolactinomas, exigindo investigação por Ressonância Magnética de sela túrcica, após excluir gravidez e hipotireoidismo.

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