Amenorreia por Haloperidol: Entenda a Hiperprolactinemia

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021

Enunciado

Uma paciente de 28 anos de idade, nuligesta, queixa-se de amenorreia há sete meses. Refere depressão e faz uso de haloperidol há um ano. Teve a menarca aos catorze anos de idade, com ciclos menstruais regulares até o início do quadro depressivo. Ao exame físico, IMC 22. Ausência de alterações no exame ginecológico. USG transvaginal sem alterações.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável.

Alternativas

  1. A) hipertireoidismo
  2. B) síndrome de Sheehan
  3. C) anorexia
  4. D) hiperprolactinemia
  5. E) insuficiência ovariana prematura

Pérola Clínica

Amenorreia + uso de haloperidol → Hiperprolactinemia induzida por medicação.

Resumo-Chave

O haloperidol, um antipsicótico, atua bloqueando os receptores de dopamina. Como a dopamina inibe a secreção de prolactina, seu bloqueio leva ao aumento dos níveis de prolactina (hiperprolactinemia), que por sua vez suprime a função gonadal e causa amenorreia.

Contexto Educacional

A amenorreia secundária é a ausência de menstruação por um período de pelo menos três ciclos menstruais ou seis meses em mulheres que já menstruaram regularmente. É um sintoma comum com diversas etiologias, desde alterações hormonais até causas anatômicas. A hiperprolactinemia é uma causa frequente, e a induzida por medicamentos é particularmente importante na prática clínica. A fisiopatologia da hiperprolactinemia induzida por medicamentos baseia-se no papel inibitório da dopamina sobre a secreção de prolactina pela hipófise. Fármacos que bloqueiam os receptores D2 de dopamina (como antipsicóticos típicos e atípicos, e antieméticos) ou que esgotam as reservas de dopamina, levam ao aumento dos níveis de prolactina. A prolactina elevada, por sua vez, inibe a pulsatilidade do GnRH hipotalâmico, resultando em hipogonadismo hipogonadotrófico e, consequentemente, anovulação e amenorreia. O diagnóstico envolve a dosagem de prolactina sérica e a revisão da história medicamentosa. O manejo geralmente consiste na redução da dose ou troca do medicamento causador, se clinicamente viável. Em casos onde a medicação não pode ser alterada, agonistas dopaminérgicos (como cabergolina ou bromocriptina) podem ser considerados para normalizar os níveis de prolactina e restaurar os ciclos menstruais, sempre avaliando o risco-benefício.

Perguntas Frequentes

Como o haloperidol causa amenorreia?

O haloperidol, um antagonista da dopamina, bloqueia os receptores dopaminérgicos na hipófise, removendo a inibição tônica da dopamina sobre a prolactina. Isso resulta em hiperprolactinemia, que inibe a secreção de GnRH e, consequentemente, de FSH e LH, levando à anovulação e amenorreia.

Quais outros medicamentos podem causar hiperprolactinemia?

Além dos antipsicóticos (como risperidona, olanzapina), outros medicamentos incluem antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), metoclopramida, domperidona e alguns anti-hipertensivos.

Como é feito o diagnóstico de hiperprolactinemia induzida por medicamentos?

O diagnóstico é feito pela dosagem sérica de prolactina, que estará elevada, em conjunto com a história clínica de uso de medicamentos que podem causar hiperprolactinemia e exclusão de outras causas de amenorreia.

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