Succinilcolina e Hiperpotassemia: Risco em Lesão Medular

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino de 32 anos, 70 kg, sofreu um acidente de motocicleta há quatro dias, evoluindo com tetraplegia. Na unidade de terapia intensiva, desenvolveu insuficiência respiratória, necessitando de intubação orotraqueal. O intensivista opta por intubação em sequência rápida utilizando fentanil 100 ug, etomidato 20 mg e succinilcolina 70 mg via venosa. Evolui com assistolia imediatamente após a administração das medicações. Assinale qual é a principal hipótese diagnóstica para essa parada. 

Alternativas

  1. A) Hipóxia secundária ao uso de fentanil. 
  2. B) Tromboembolismo pulmonar. 
  3. C) Hiperpotassemia secundária a succinilcolina. 
  4. D) Choque distributivo secundário ao etomidato. 

Pérola Clínica

Succinilcolina contraindicada em lesões por esmagamento/queimaduras/tetraplegia > 24h → risco de hiperpotassemia grave e assistolia.

Resumo-Chave

A succinilcolina, um bloqueador neuromuscular despolarizante, pode causar hiperpotassemia grave e assistolia em pacientes com lesões que resultam em proliferação de receptores de acetilcolina, como queimaduras extensas, lesões por esmagamento ou paralisia prolongada (tetraplegia > 24-48h).

Contexto Educacional

A intubação orotraqueal em sequência rápida (ISR) é um procedimento comum em emergências, visando a rápida obtenção de via aérea segura. A succinilcolina é frequentemente utilizada como bloqueador neuromuscular devido ao seu rápido início de ação e curta duração. No entanto, seu uso não é isento de riscos, especialmente em populações específicas. A succinilcolina é um agente despolarizante que age nos receptores nicotínicos de acetilcolina, causando uma despolarização prolongada da membrana muscular e, consequentemente, paralisia. Um de seus efeitos adversos mais graves é a hiperpotassemia, que pode levar a arritmias cardíacas fatais, incluindo assistolia. Esse risco é significativamente aumentado em pacientes com condições que levam à proliferação de receptores de acetilcolina extrajuncionais. Condições como queimaduras extensas, lesões por esmagamento, trauma muscular grave, paraplegia ou tetraplegia (especialmente após 24-48 horas da lesão inicial, quando a proliferação de receptores é máxima) e distrofias musculares são contraindicações importantes para o uso de succinilcolina. Nesses pacientes, a ligação da succinilcolina aos receptores extrasinápticos libera uma quantidade excessiva de potássio intracelular para o espaço extracelular, elevando rapidamente os níveis séricos de potássio e precipitando arritmias. Em tais cenários, bloqueadores neuromusculares não despolarizantes de ação rápida, como o rocurônio, são a escolha mais segura para a ISR.

Perguntas Frequentes

Por que a succinilcolina pode causar hiperpotassemia em pacientes com tetraplegia?

Em condições como tetraplegia, queimaduras extensas ou lesões por esmagamento, ocorre uma proliferação de receptores de acetilcolina extrajuncionais. A succinilcolina, ao se ligar a esses receptores, provoca uma despolarização prolongada e uma liberação excessiva de potássio das células, levando à hiperpotassemia.

Quais são as principais contraindicações para o uso de succinilcolina?

As contraindicações incluem queimaduras extensas, lesões por esmagamento, lesão medular aguda (> 24-48h), paraplegia/tetraplegia crônica, distrofias musculares, miopatias, histórico de hipertermia maligna e hiperpotassemia preexistente.

Qual alternativa à succinilcolina pode ser usada para intubação em sequência rápida nesses casos?

Em pacientes com risco de hiperpotassemia, um bloqueador neuromuscular não despolarizante de ação rápida, como o rocurônio, é a alternativa preferencial para a intubação em sequência rápida.

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